Parceria com a China atrai ex-presidente do BNDES

Empresa de Luiz Carlos Mendonça de Barros vai importar da China caminhões da marca Foton Aumark

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

Entrar no mercado automobilístico por meio de uma marca chinesa também foi a opção do ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros. Junto com o filho Ricardo e o sócio Marcio Vita, eles representam no Brasil a Foton Aumark, maior fabricante chinesa de caminhões, com cerca de 800 mil unidades ao ano.

O lançamento da marca será em outubro, durante a Fenatran (feira do transporte), em São Paulo, mas já há veículos em teste pelas ruas do País. Mendonça de Barros, hoje sócio da consultoria Quest, afirma que a Foton do Brasil vai atuar inicialmente com caminhões pequenos, com capacidade de 3,5 a 6 toneladas de carga.

A produção local está prevista apenas para 2015. "O grupo, com sede em Pequim, definiu que, a partir deste ano, abrirá fábricas na Rússia, na Índia e depois no Brasil", diz. Ele não será sócio na fábrica, mas continuará responsável pela distribuição e importação dos modelos que não forem produzidos localmente.

Neste ano serão importados 300 a 400 caminhões, e o volume aumentará a partir de 2012. Até o fim do ano, o grupo terá quatro revendas próprias na região metropolitana de São Paulo e a expansão será gradativa. Mendonça de Barros e os sócios estão investindo R$ 45 milhões para iniciar a empreitada.

O vice-presidente mundial da JAC Motors, Dai Maofang, afirma que a concorrência no mercado brasileiro será grande, inclusive entre as próprias marcas chinesas. "Será um desafio saudável e cada um terá de mostrar suas qualidades." Ele aposta, porém, que a disputa vai ser ainda mais forte com as marcas já existentes no mercado. As quatro maiores montadoras do País - Fiat, Volkswagen, GM e Ford - eram responsáveis por 84% das vendas em 2011, participação que hoje é de 71%.

Sérgio Habib, do grupo SHC, ressalta que esse índice "é gigantesco para um país aberto". Segundo ele, as quatro maiores fabricantes da França detêm 59% das vendas, participação que na Alemanha é de 58%, nos EUA, de 55%, na Inglaterra, de 48%, e na Espanha, de 38%.

Ele acredita que, mesmo com a chegada de tantas marcas, "não haverá uma invasão chinesa". Ele elogia a capacidade dos chineses em desenvolver projetos com rapidez. Para desenhar uma nova grade frontal para o J2, compacto que será importado em breve, os engenheiros da JAC na China precisaram de três dias. Aqui, diz, as empresas levariam dois anos. "A vantagem competitiva deles não é só salário baixo; é logística, carga tributária e até a falta de democracia", diz. "Não sou contra a democracia, mas ela gera muita burocracia."

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