Parceria entre Petrobras e Pemex depende de reforma

O futuro da cooperação entre a Petrobras e a petrolífera estatal mexicana Pemex pode depender do resultado de um controvertido projeto de reforma do setor de energia submetido recentemente ao Congresso mexicano pelo governo do presidente Felipe Calderón.Em uma entrevista coletiva concedida durante o Fórum Econômico Mundial da América Latina, o executivo-chefe da estatal mexicana, Jesus Reyes Heroles, disse que a Pemex teve de recusar um convite feito pela Petrobras para participar de um projeto de exploração em águas profundas no lado americano do Golfo do México. Segundo Reyes Heroles, a Pemex preferiu esperar a aprovação do projeto de reforma. "A Petrobras adquiriu uma enorme experiência e tornou-se líder em águas profundas", afirmou o executivo. "A Pemex estaria muito interessada em conseguir se beneficiar dessa experiência e aprender com a Petrobras, mas isso depende da reforma", acrescentou.O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que também está no México, afirmou que a empresa aguarda a decisão dos mexicanos antes de avaliar as possibilidades. "Não temos opinião sobre a situação interna do México", declarou.O projeto apresentado na semana passada pelo presidente Felipe Calderón gerou uma onda de protestos da oposição de esquerda. Desde a nacionalização do setor petrolífero mexicano, em 1938, as companhias estrangeiras e privadas envolvidas em atividades de exploração têm de se limitar a atuar como prestadoras de serviço para a Pemex. ReformaA proposta de Calderón não prevê a mudança dessa regra constitucional, o que permitiria à Pemex formar parcerias. Mas o projeto concede maior flexibilidade aos contratos de prestação de serviços, possibilitando que as contratadas se beneficiem das explorações mais bem-sucedidas, sem que a Pemex abra mão da propriedade do petróleo.Isso permitiria que as companhias privadas e as estrangeiras construíssem e operassem refinarias no México, enquanto a Pemex manteria o controle sobre o petróleo e seus derivados. Para Gabrielli, o pagamento de taxas de prestação de serviços em campos de petróleo - prática comum no setor - reduz a atratividade do investimento para companhias como a Petrobras, que preferem assumir o risco da exploração.O México tem mostrado vivo interesse no desempenho da Petrobras, pois acredita que grande parte de suas reservas não descobertas estejam sob as águas profundas do Golfo do México. A Pemex estima que existam 30 bilhões de barris de petróleo nessa região. A produção da companhia mexicana caiu de 3,4 milhões de barris diários em 2004, para os atuais 3 milhões de barris por dia. Já a Petrobras vem aumentando sua produção, que agora chega a 2,3 milhões de barris diários. As informações são da Dow Jones.

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