Parceria pode afetar investimentos em inovação

É preciso esclarecer: reconhecida como a empresa mais inovadora do País, a Embraer faz esta parceria por questões de mercado

Carlos Arruda, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 23h30

A relação entre Embraer e Boeing sempre foi muito próxima, bem antes do anúncio da joint venture entre elas. Basta lembrar a decisão da Boeing de criar um centro de pesquisa e tecnologia em São José dos Campos, em 2014, como parte de sua tentativa de fornecer caças para o governo brasileiro. 

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No ambiente internacional, muitas empresas se associam para ampliar seu potencial de mercado expandindo sua oferta global de produtos e soluções, casos de Bayer e Monsanto, Dow e DuPont, por exemplo. Não é de estranhar, portanto, que surjam dúvidas sobre o futuro da Embraer na perspectiva de que ela mantenha ou não sua liderança em inovação, pelo menos nesta fase inicial de consolidação da parceria. Por isso, é preciso esclarecer: reconhecida como a empresa mais inovadora do País, a Embraer faz esta parceria por questões de mercado. Ambas se fortalecem na área comercial e em seus canais de venda. A experiência em estudos sobre associações deste tipo, sobretudo após uma fase de investimentos em novos produtos, nos leva a crer que a Embraer passará por um ciclo de redução no desenvolvimento de novas linhas para a aviação comercial. Principalmente por que a empresa está concluindo um ciclo de investimentos na nova família de jatos regionais E2.

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Nesta fase inicial, não há sinais de que, juntas, Embraer e Boeing desenvolverão novos projetos tecnológicos ou farão investimentos robustos em novos produtos. Em geral, após uma parceria de cunho comercial há uma fase de exploração dos produtos existentes e conquistas ou sustentação de mercados. É provável que o esforço de inovação fique agora concentrado nas áreas de defesa e eventualmente na aviação executiva. Mas é muito cedo para afirmações definitivas. Incontestável será acompanhar a nova estratégia de inovação que a Embraer, ícone brasileira, irá adotar.

É COORDENADOR DO NÚCLEO DE INOVAÇÃO E  EMPREENDEDORISMO DA FUNDAÇÃO DOM CABRAL

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