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Parcerias na promoção de desenvolvimento

Com a enorme importância de grandes corporações na economia global, governos e sociedade civil ainda estão aprendendo a interagir com essas organizações. As abordagens podem ser diversas e muito ainda precisa ser feito para aprimorá-las, mas o certo é que parcerias com o setor privado são importantes na promoção de desenvolvimento. As forças do empreendedorismo, o "espírito animal" segundo Keynes, são cada vez mais fortes e têm impactos profundos nos territórios, nas atividades econômicas e na vida das pessoas. Conviver e usar essas forças é crucial para obter objetivos sociais diversos como cumprimento de direitos humanos, conservação ambiental e combate à obesidade.

ANDRÉ M. NASSAR, LAURA ANTONIAZZI, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2015 | 02h04

A ministra Izabella Teixeira, em recente evento de grande varejista multinacional, declarou como é difícil para o governo estabelecer diálogos efetivos e parcerias concretas com o setor privado. Para ela, a máquina pública está preparada para fazer política ambiental do tipo comando e controle, isto é, criar regras e fiscalizar - e a afirmação também valeria para políticas públicas de outras áreas. É claro que o Estado não deve deixar de atuar nesse âmbito, pois regras e fiscalização são cruciais para regular empresas e indivíduos e, assim, garantir o bem-estar social. Mas comando e controle não são suficientes nem eficientes para dar conta de uma série de problemas hoje da nossa sociedade. Os desafios contemporâneos são caracterizados pela complexidade em que muitos fatores são interconectados em diversas relações de causas e efeitos. Nesse ambiente complexo, a atuação das grandes corporações tem um peso alto na produção e no fornecimento de cadeias de valor, e, portanto, elas devem fazer parte do planejamento e da implementação de políticas de desenvolvimento.

Se para os governos é desafiador criar novas abordagens e, assim, trabalhar junto com o setor privado para obter metas sociais, empresas também têm dificuldades para incorporar novas responsabilidades que vão além da maximização de lucros. A área de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) vem evoluindo, mas ainda há um largo caminho a ser seguido. Existe o problema de as ações de RSC serem simplesmente marketing e discursos vazios, o chamado green washing. Além disso, empresas se caracterizam por atitudes competitivas e muitas das ações de desenvolvimento requerem iniciativas coordenadas e de cooperação. Embora separar esses dois âmbitos numa mesma organização não seja trivial, o mundo corporativo já reconhece que existem áreas em que a ação pré-competitiva é mais eficiente.

As dificuldades não podem paralisar a ação, mas, sim, motivar mais trabalho e articulação nas organizações envolvidas, tanto nos governos e empresas quanto no terceiro setor. Em municípios com pouca ou nenhuma atividade empresarial onde um grande empreendimento se instala, o desafio é a coordenação entre as ações dos governos locais e do empreendimento para atender às demandas da população, com o objetivo de capturar o desenvolvimento gerado pelo empreendimento para todo o território.

Numa escala mais ampla, grandes corporações de comércio e consumo compram muitas matérias-primas e em grandes volumes. As regiões escolhidas e os critérios para compra podem ter peso maior do que uma legislação e, pois, podem ser importantes direcionadores de desenvolvimento regional. As grandes corporações de consumo atingem diariamente bilhões de pessoas, indicando grande alcance de atuação, seja por meio da qualidade de seus produtos, por exemplo teor de sal, ou pelo poder de comunicação e informação associado aos produtos. Assim, governos e sociedade civil atuando em políticas de controle de desmatamento ou segurança alimentar e nutricional podem se beneficiar ao trabalharem de maneira coordenada com estas grandes corporações. O desafio é obter dois equilíbrios: nas empresas, equalizar competição com cooperação, e nos governos, aliar políticas de comando e controle com incentivos e parcerias com o setor privado.

SÃO, RESPECTIVAMENTE, DIRETOR DA AGROICONE CONSULTORIA E PESQUISADORA SENIOR DA AGROICONE

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