Parcerias tentam dar impulso a pagamentos via celular no Brasil

Operadoras de telefonia e instituições financeiras fecham acordos para tentar fazer esse mercado finalmente decolar

Nayara Fraga, de O Estado de S. Paulo,

28 de novembro de 2012 | 22h25

Atualizado às 15h34

SÃO PAULO - Os pagamentos via celular são vistos há tempos como o futuro das transações financeiras, por sua simplicidade. Mas, apesar de toda a tecnologia disponível, esses serviços vêm encontrando dificuldades para deslanchar. No Brasil, uma nova onda de parcerias entre empresas de telefonia e instituições financeiras tenta finalmente tornar essas operações mais populares.

Ontem, Telefônica e Mastercard, que criaram a empresa Mobile Financial Services (MFS) para disputar esse mercado, anunciaram a chegada de um novo "produto de inclusão financeira" que tem o celular como ponto de partida. "É para facilitar a vida de quem não tem conta corrente", disse o presidente da MFS, Marcos Etchegoyen.

Segundo o executivo, a vantagem do novo sistema é a sua simplicidade. Para começar a usar o produto (ainda sem nome), bastará a quem é cliente Vivo digitar um código no celular, fazer um cadastro e ir a uma loja parceira da operadora para fazer a carga do dinheiro. É como se o usuário estivesse abrindo uma conta bancária. Ele ainda tem direito a um cartão físico para compras e saques. Mas trata-se de uma conta pré-paga, semelhante ao procedimento usado hoje na carga de crédito no celular pré-pago.

Com o cartão em mãos e o cadastro feito, a pessoa poderá transferir dinheiro para quem também se tornou cliente da MFS, fazer recargas de celular, comprar em locais que aceitem Mastercard e sacar dinheiro em terminais da rede Mastercard Cirrus. A MFS lançará esse sistema em abril de 2013, ano em que a empresa espera conquistar 200 mil clientes ativos e 500 mil transações por mês. "Nossa meta é atingir boa parte da população brasileira", afirmou Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica no Brasil.

Acordo. Na semana passada, Bradesco e Claro também anunciaram uma parceria para a área de pagamentos móveis. Dentre as iniciativas desenvolvidas em conjunto estão também a utilização de cartão pré-pago pelo celular e o uso de tecnologia sem contato (NFC, na sigla em inglês) nas transações com cartões Bradesco nas linhas da Claro.

Segundo informou Marcio Parizzoto, diretor de produtos da Bradesco Cartões, o cartão pré-pago vinculado a uma linha de celular deve ser lançado comercialmente no início do segundo trimestre do ano que vem. Já os serviços com a tecnologia NFC (que permite pagamentos ou transferências apenas aproximando-se o celular de um outro aparelho) estará disponível a partir do segundo semestre de 2013. "O serviço financeiro em celular é uma tendência irreversível", diz a diretora de serviços de valor agregado da Claro, Fiamma Zarife.

Essas iniciativas seguem o caminho da Oi, primeira operadora a embarcar no negócio do pagamento móvel no País. A companhia criou há quatro anos a empresa Paggo, criada com as funções de avaliar e conceder crédito e ser bandeira de cartão. Na época, o consumidor e o lojista trocavam mensagens por SMS em aparelhos Oi para concluir o pagamento. Mas o serviço não engrenou, e a Paggo durou dois anos.

A Oi percebeu, então, a necessidade de fazer parcerias. Criou uma joint venture com a Cielo, que ficou por conta do pagamento na loja, e associou-se com o Banco do Brasil, encarregado de fazer a análise de crédito e a emissão do cartão de modo mais profissional. Hoje, 400 mil contas estão ativadas e ainda há a chance de se aproveitar 8,5 milhões de clientes do cartão Ourocard que também estão na base da Oi. "A gente podia continuar sozinho e levar 15 anos ou fazer agora", diz o diretor de inovação e novos negócios da Oi, Pedro Ripper. Quem usa a tecnologia da Paggo (nome herdado do empreendimento anterior) só precisa sair de casa com o celular Oi para fazer uma compra em lojas credenciadas pela Cielo.

Segundo o especialista em telecomunicações Guilherme Ieno, o ponto positivo do pagamento móvel é difundir os serviços financeiros para todas as classes. "Para os bancos, o interesse é permitir alcançar quem normalmente eles não alcançam hoje." Levantamento do IBGE mostra que 46,8 milhões de brasileiros não têm conta bancária.

Ieno questiona, no entanto, o modo como esses serviços serão difundidos. "Como vai funcionar a interação entre esses sistemas? Os terminais que aceitam Oi vão aceitar Vivo ou Claro-Bradesco, por exemplo?", pergunta.

A empresa de pesquisa Gartner prevê que o número de usuários do pagamento móvel na América Latina seja de 10.479 milhões em 2013, ante os 8.456 milhões previstos para 2012.

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