'Parcimônia' é aposta no prometido controle fiscal e de subsídios

ANÁLISE: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2014 | 02h05

Os termos da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada permitem concluir que o aumento de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros então decidido foi mais uma forma de atender às expectativas do mercado do que uma necessidade da política de controle da inflação. Pelas justificativas da ata, a "parcimônia" nas próximas elevações dos juros, anunciada no comunicado emitido ao final do encontro de quarta-feira e que desconcertou os analistas, poderia ter sido adotada já naquela ocasião.

Depois da divulgação da ata, sem grandes novidades em sua essência, os analistas continuaram divididos em três grupos. Um deles, menor, passou a esperar apenas mais uma alta de 0,25 ponto, em janeiro, com o atual ciclo de alta nos juros se encerrando com a taxa em 12% ao ano. Outro, intermediário, aposta em três altas de 0,25 ponto, com o fim do ciclo em abril. O mais numeroso deles prevê mais duas elevações - 0,5 ponto, em janeiro, e 0,25 ponto, em março -, fechando o ciclo com juros a 12,5%.

Fica tão claro quanto possível, em se tratando de uma ata do Copom, que o Banco Central conta com uma ação mais ativa do novo governo no controle da política fiscal e de subsídios ao crédito (leia-se BNDES) para aliviar a política monetária e efetivar a controversa "parcimônia" nas futuras elevações dos juros básicos. Não só o fim dos repasses do Tesouro para o BNDES, que provocam impacto na dívida pública e ameaçam o grau de investimento, mas também a elevação da taxa de juros de longo prazo (TJLP), reduzindo os subsídios do Tesouro na concessão dos empréstimos, estão nessa conta.

As incertezas em relação ao comportamento futuro da taxa de câmbio sugerem uma atitude de cautela em relação à parcimônia da ação do BC. Afinal, como ele mesmo reconhece na ata, a inflação só deve começar a convergir para o centro da meta em meados de 2016, mantendo-se até então próxima ao teto, depois de voltar a superá-lo no começo de 2015.

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