Parente diz que reação dos mercados é exagerada

O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, disse hoje que a reação dos mercados no Brasil está sendo exagerada. "Não há razões para o que está acontecendo no mercado brasileiro neste momento", afirmou Parente no café da manhã promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Washington, para falar sobre as medidas do governo para o período de transição presidencial. Parente ressaltou que os fundamentos da economia brasileira estão sólidos. Ele disse que a cada semana o governo está revisando para cima a estimativa de superávit da balança comercial. "A última estimativa está em US$ 8,5 bilhões, US$ 9 bilhões", informou Parente. De acordo com ele, o País está tendo bom desempenho nas contas fiscais. "E este bom desempenho não se limita apenas ao governo federal, mas também Estados e Municípios", acrescentou.O ministro admitiu que o processo eleitoral tem contribuído para a turbulência do mercado, mas que o País também está sendo afetado pelo ambiente externo adverso. Ele mencionou a queda nas bolsas de valores mundiais, as dúvidas em relação à atividade econômica nos Estados Unidos e no mundo e o temor da volta da recessão, as preocupações com a possível guerra contra o Iraque e a alta nos preços do petróleo.Segundo Parente, a questão fundamental para os mercados será o que o próximo presidente brasileiro fará, qual a equipe econômica que ele nomeará e se essa equipe econômica será competente em administrar uma economia complexa como a do Brasil. "Pelo o que eu já ouvi em declarações dos principais candidatos à Presidência, penso que a resposta é sim a essas questões, por isso não vejo porque o mercado brasileiro está passando por forte estresse", afirmou Parente.TransiçãoO ministro delineou para a platéia de empresários e investidores um conjunto de medidas que o governo está adotando para facilitar a transição para a equipe do próximo presidente. Entre essas medidas ele destacou o projeto "Agenda 100", que inclui todas as informações necessárias para que o próximo governo consiga administrar melhor os primeiros 100 dias de gestão. Entre essas informações estão uma lista de todas as informações e medidas necessárias nos primeiros 100 dias, prazos legais, encontros internacionais e domésticos, além de negociações importantes.Parente informou que o presidente Fernando Henrique Cardoso, para evitar uma Medida Provisória no período entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais, está criando 50 cargos, em vários níveis administrativos, que formarão uma equipe para o governo de transição. Esses cargos serão pagos com dinheiro público. O ministro disse ainda que não há intenção do governo de fazer reuniões formais sobre transição com os dois candidatos, se houver segundo turno.Parente se reúniu também com o Chief of Staff (o equivalente a ministro da Casa Civil) da Casa Branca, Andrew Card, e o seu vice, Joshua Bolten.

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