Parente endossa fim do racionamento

O presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica e ministro da Casa Civil, Pedro Parente, contestou hoje os críticos que discordam do fim do racionamento de energia. "Ontem vi um comentário que se no Sudeste chover em 2002 e 2003 o mesmo que choveu no ano passado vamos ter problemas em 2003. Não vamos. Em 2003 se tivermos essa hipótese estamos absolutamente tranqüilos com reservatórios acima de 60% no final do ano. Isso são dados do ONS?, disse.?Nós temos que trabalhar com quem sabe fazer isso que é o Operador Nacional do Sistema Elétrico", completou o ministro, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo. Ele reconheceu, no entanto, que os dados de que o governo dispõe sobre meteorologia não são 100% confiáveis, porque as regiões Sudeste e Centro-Oeste estão localizadas em uma área de transição entre o clima tropical e o temperado.Parente admitiu que em matéria de previsão meteorológica ele se baseia nos máximo nos próximos cinco dias. "Não temos condições de acreditar mais do que isso".O ministro ressaltou a importância de se "desmentir a tese" de que o governo não está trabalhando para impedir novas crises de energia no País. "Jamais foi feito um esforço tão coordenado, tão preciso no acompanhamento dessas obras", afirmou, referindo-se às 16 termoelétricas em construção.Segundo Parente, o que acabou foi o racionamento e não o processo de aperfeiçoamento do setor para garantir o aumento dos investimentos. "O racionamento não precisa continuar. Precisamos implementar essas medidas para que em 2004 não tenhamos problemas", afirmou o ministro.Há dúvidas sobre suprimento para 2003O racionamento de energia elétrica terminará em 1º de março "com uma sensação de ressaca, com muita dor de cabeça e contas a pagar", definiu o professor Ildo Sauer, coordenador do programa de pós-graduação do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP). Para Sauer, o suprimento de energia estará garantido em 2002 mas ainda é uma incógnita para 2003.A temporada chuvosa deste ano deverá terminar em maio, com os reservatórios das hidrelétricas ostentando um nível de enchimento de cerca de 60%, segundo o professor, "repetindo o quadro do início de 2000 ", que antecedeu à crise energética do ano passado.Para Sauer, esse nível de enchimento é suficiente para garantir a energia "somente durante o governo Fernando Henrique Cardoso". Para 2003, há muitas dúvidas sobre a garantia de suprimento, acrescentou. "Não se sabe como será o nível de crescimento da demanda, nem como se dará a expansão da capacidade instalada das usinas termelétricas", acrescentou.

Agencia Estado,

20 de fevereiro de 2002 | 09h47

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