Parlamentares pedem a Palocci que não privatize BEC

Um grupo de parlamentares da bancada do Ceará pediu hoje ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que o Banco do Estado, o BEC, não seja privatizado. Eles entregaram ao ministro um estudo elaborado pelos funcionários do banco com três alternativas à privatização. A primeira alternativa propõe que o BEC continue temporariamente sob gestão federal e depois seja incorporado ou adquirido pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB), que é uma instituição estatal federal e vinculada ao Ministério da Fazenda.De acordo com o deputado João Alfredo (PT-CE), o presidente do BNB, Roberto Smith, já teria admitido essa possibilidade. A outra proposta dos funcionários apresentada ao ministro é a de reestadualização do banco, o que implicaria a concordância do governo do Estado e a mudança do contrato de renegociação da dívida estadual com a União.A terceira opção seria a de uma engenharia financeira, na qual o banco teria uma participação da União, do Estado e de municípios cearenses. "É uma luta antiga no Ceará pela defesa do BEC, que é um banco de 40 anos. Sempre fomos contrários à privatização", disse João Alfredo, após o encontro com o ministro. Para ele, não faz sentido a privatização. "Depois que o BEC foi federalizado e saneado, é banco lucrativo", afirmou ele. João Alfredo estava acompanhado no encontro por outros parlamentares da bancada, representantes dos funcionários e sindicalistas.Segundo o deputado, Palocci se comprometeu a analisar o estudo dos funcionários para que não ocorra a privatização. "O ministro disse que iria estudar e analisar. Portanto, não há o fechamento de questão", disse Alfredo. "O ministro disse que está dando seqüência a um programa do governo anterior e que privatizar bancos deste governo, mas que no momento ele deve dar curso a um programa que tem meio e fim."João Alfredo informou que o passo seguinte dos funcionários e deputados será procurar o governador do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB), e o presidente do Banco do Nordeste do Brasil, Roberto Smith. Na sua avaliação, as pendências legais que ainda existem para a privatização dão um tempo a mais para que as alternativas sejam analisadas pelo ministro.Entre essas pendências, está encontrar uma solução para o déficit atuarial com a caixa de previdência dos funcionários do banco para saber quem arca com esses recursos. Outra pendência é uma definição se o banco, após a privatização, poderia continuar com a conta do governo estadual. "Se ficar sem a conta, isso reduz o preço do banco", explicou ele.Segundo o deputado, foi comentado no encontro o compromisso do governo federal no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para a privatização dos bancos estaduais. "Essa é uma questão que pode ser colocada, porque na verdade, do ponto de vista do FMI, se o banco vier a ser incorporado pelo BNB, ele deixa de existir como banco estadual", afirmou.Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e a área econômica

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