Parlamento espanhol aprova austeridade por um voto

O governo da Espanha conseguiu aprovação, por apenas um voto, no Parlamento para um pacote de austeridade de 15 bilhões de euros nesta quinta-feira, em uma ação do país para cortar o déficit no orçamento.

SONYA DOWSETT, REUTERS

27 de maio de 2010 | 12h02

A lei foi aprovada por 169 votos a favor e 168 contra. O Partido Popular, de oposição, votou contra a lei e até fez um de seus deputados ir à sessão em uma ambulância.

A lei só foi salva quando dez deputados do CiU, partido catalão nacionalista de centro-direita, se absteve da votação após criticar a lei, dizendo que não quer que a Espanha seja mergulhada em uma crise como a da Grécia.

Porém, o CiU disse que não apoiará a lei de orçamento de 2011, informaram agências de notícias espanholas, gerando dúvidas sobre como o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero poderá continuar a liderar seu país em tempos de crise.

O líder do CiU, Josep Antoni Duran i Lleida, disse ao Parlamento que Zapatero deveria convocar eleições antecipadas no ano que vem. "O problema é você e seu governo", disse ele ao premiê.

Se a lei desta quinta-feira tivesse sido derrotada, os planos do governo de controlar o déficit orçamentário seriam prejudicados, potencialmente irritando os mercados de crédito ao alimentar as preocupações sobre a sustentabilidade fiscal da Espanha, quarta maior economia da zona do euro.

"Essa lei é improvisada, insuficiente e injusta", disse o líder do Partido Popular (PP), Mariano Rajoy, ao Parlamento. O PP, partido conservador de oposição, lidera as pesquisas de opinião no país.

Analistas espanhóis disseram que é difícil imaginar como Zapatero poderia continuar no governo se perdesse a votação.

Na quarta-feira, o Partido Nacionalista Basco disse que vai se alinhar ao Partido Popular na oposição aos cortes de gastos.

O plano do governo pretende economizar mais 15 bilhões de euros e inclui a diminuição de 5 por cento do salário do setor público neste ano. O objetivo é reduzir o déficit orçamentário para 9,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e para 6 por cento em 2011, de 11,2 por cento no ano passado.

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