Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Parlamento grego aprova pacote de austeridade

No segundo dia de greve geral, marcado por confrontos e uma morte, medidas são aprovadas por 10 votos de diferença

ATENAS , O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2011 | 03h05

O Parlamento da Grécia aprovou ontem, por 154 votos a 144, em votação final, uma legislação com novas medidas de austeridade que o governo deve adotar para receber a próxima parcela de auxílio financeiro dos credores internacionais e evitar um calote. A votação era vista como um teste crucial para o Partido Socialista, que está no poder e dava sinais de dissidências.

O parlamentar Louka Katseli, do partido governista, embora apoiando a legislação em geral, votou contra um dispositivo e foi expulso do partido. Com isso, o governo agora detém 153 de 300 assentos no Parlamento.

O novo pacote traz impopulares cortes de gastos públicos e aumentos em impostos. Pressionado por credores internacionais, o governo grego enviou um projeto ao Legislativo para cortar empregos e salários no setor público, reduzir pensões mais altas e os direitos de algumas categorias e impor mais impostos, entre outras medidas. No fim da quarta-feira, o Parlamento já havia aprovado as mudanças em votação preliminar.

A votação do projeto foi feita antes da reunião de cúpula da União Europeia (UE), marcada para domingo, que vai decidir se a próxima parcela de ajuda será liberada para a Grécia. Em jogo, 8 bilhões da UE e do Fundo Monetário Internacional que a Grécia precisa nas próximas semanas. Sem a verba, o governo disse que ficará sem dinheiro até meados de novembro.

Uma vítima. Um protesto em Atenas, no segundo dia de greve geral, resultou em violentos confrontos entre manifestantes comunistas e jovens anarquistas. Mais de 50 mil pessoas foram às ruas da capital grega contra as novas medidas de austeridade em troca de ajuda financeira internacional, que foram aprovadas pelo Parlamento. Na quarta-feira, mais de 100 mil gregos haviam se manifestado contra as reformas.

Uma pessoa morreu ontem após ser ferida durante os confrontos, segundo autoridades da Grécia. Há informações de centenas de feridos. O vice-presidente do Parlamento, Anastasios Kourakis, anunciou a morte durante o debate do projeto de lei no Parlamento. A emissora grega Skai TV informou que a vítima era um homem. Um médico citado pela emissora, Stavros Flegas, disse que cerca de 30 pessoas receberam tratamento por ferimentos e problemas respiratórios durante os protestos, desde a manhã.

Centenas de jovens tentaram forçar a passagem em meio a um protesto pacífico organizado pelo sindicato Pame, de orientação comunista, em frente ao prédio do Parlamento. Os milhares de manifestantes comunistas, porém, entraram em confronto com os jovens anarquistas e começaram a persegui-los pela Praça Syntagma, agredindo-os com paus. Os jovens anarquistas reagiram atirando pedras e coquetéis molotov.

A polícia antidistúrbio interveio, entrando na praça para restaurar a ordem.

Apoio. A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) expressou ontem apoiou aos protestos convocados pelos duas maiores centrais sindicais da Grécia - a GSEE, do setor privado e a Adedy, do público - contra as políticas de austeridade do governo. "Estamos do lado dos sindicatos gregos que lutam contra medidas que põem o país de joelhos", afirmou num comunicado a secretária-geral da CES, Bernadette Ségol.

Ela ainda advertiu que as medidas propostas pela troica formada pela Comissão Europeia,BCE e FMIembutem um recuo "brutal" do nível de vida da população. Desde 1973, a CES representa 83 organizações de trabalhadores em 36 países europeus. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.