Marcos Bezerra/Futura Press/Futura Press
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Parlamento venezuelano investigará contratos de US$ 16 bi da Odebrecht

País é o segundo da América Latina em que a empreiteira pagou mais subornos (US$ 98 milhões), apenas atrás do Brasil, de acordo com a delação de Marcelo Odebrecht

O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2017 | 12h07

De maioria opositora, o Parlamento venezuelano aprovou nesta terça-feira, 31, uma investigação sobre o suposto pagamento de subornos a funcionários do Estado pela empreiteira Odebrecht.

"A cifra dos contratos com a Odebrecht na Venezuela passa dos US$ 16 bilhões. O caso gerou um escândalo em nível mundial, mas na Venezuela, não. Incentivo que a Procuradoria investigue", disse o presidente da Comissão da Controladoria, o deputado Juan Guaidó.

O acordo para investigar o caso pelo Comitê Legislativo foi aprovado em um debate assistido pelos deputados do governo.

Na semana passada, a Procuradoria informou que já pediu informações sobre o caso ao Ministério Público brasileiro e solicitou uma ordem de apreensão contra uma pessoa - sem identificá-la - supostamente vinculada ao escândalo.

A Venezuela é o segundo país da América Latina em que a empreiteira pagou mais subornos (US$ 98 milhões), apenas atrás do Brasil, de acordo com a delação de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empresa.

Durante o debate, o parlamentar Julio Montoya afirmou que várias obras importantes que deviam ser construídas pela Odebrecht estão inacabadas, apesar de terem recebido os recursos.

Montoya assegurou, por exemplo, que foram pagos US$ 419 milhões de dólares para a construção da linha 5 do metrô de Caracas e 527 milhões para a linha 2 do metrô de Los Teque, mas ambas não estão prontas. Essas obras já deveriam ter sido entregues.

"É importante que a Comissão da Controladoria investigue cada um desses casos (...) Há mais de US$ 20 bilhões em obras inacabadas. A Odebrecht é só a ponta do iceberg", acrescentou.

Na última sexta-feira, Julio Montoya denunciou que os "subornos e propinas" da Odebrecht na Venezuela passam de um bilhão de dólares./AFP

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