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'Muitos parques no Brasil hoje estão abandonados'

Após obter concessão do Caminhos do Mar, empresa diz ter mais R$ 75 milhões para investir

Entrevista com

Pedro Cleto Carvalhaes

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2022 | 05h00

Principal fundo de investimento da Parquetur, empresa que faz a gestão do parque Caminhos do Mar, onde está a Estrada Velha de Santos (SP), e da Chapada dos Veadeiros (GO), o AC2 captou R$ 75 milhões para disputar leilões de mais sete parques federais e estaduais. A seguir, trechos da entrevista com Pedro Cleto Carvalhaes, sócio da AC2 Investimentos.

Por que o AC2 é focado só em parques naturais?

Entendemos que hoje o Brasil não tem estrutura e cuidado com os parques, muitos estão abandonados. O setor privado pode explorá-los de forma organizada, seguindo regras do edital. O foco é receber bem o turista, ter centro de visitantes organizado, banheiro limpo e guias. O brasileiro quer redescobrir a natureza.

A iniciativa privada pode atrair mais visitantes?

Estudo do Instituto Semeia/BCG mostra que, em 2010, os parques locais receberam 4 milhões de pessoas, número que subiu a 15 milhões em 2019 e hoje estimo em 17 milhões. O número vem crescendo, mas representa só 6% da população. No Chile são 17% e na Costa Rica, 21%. O turismo representa 7% do PIB brasileiro e o ecoturismo apenas 0,4%. O potencial é bem maior. 

Como foram os leilões?

De 1999 a 2017, ocorreram cinco leilões. Com a lei de concessões de 2015 foram 12 em quatro anos. Em março o grupo Cataratas/Construcap arrematou o Parque Nacional do Iguaçu (PR) com outorga de R$ 375 milhões, ágio de 349%, e vai investir R$ 540 milhões. A Parquetur ficou com o Chapada dos Veadeiros em 2018 e, desde então, o parque ganhou vários prêmios. Pelo Caminhos do Mar, leiloado em 2021, pagou R$ 4,3 milhões, ágio de 200%, e investirá R$ 18 milhões. O parque recebia 20 mil visitantes ao ano, número que atingimos em quatro meses. Acredito que até o fim do ano serão 100 mil.

Quantos parques ainda serão leiloados?

Cerca de 50 em quatro anos. Temos apetite por sete deles, com capex (investimento) de R$ 25 milhões a R$ 35 milhões. O impacto da preservação não é só ambiental. Estudos mostram que, para cada R$ 1 investido, voltam R$ 7 a R$ 10 para o entorno, com guias, translado, pousadas e alimentação.

Quem é investidor do AC2?

Famílias que não estão interessadas só no retorno financeiro, mas na preservação. Uma delas é a Bracher (do ex-presidente do Itaú).

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