Scott Audette/Reuters
Scott Audette/Reuters

Parques temáticos apresentam aplicativos para pedir refeições em restaurantes

Parques começam a permitir que visitantes escapem da fila do caixa e peçam comida antecipadamente; nesse mês, o Disney World testou um serviço de pedidos via smartphones

Sandra Pedicini, Orlando Sentinel

30 Maio 2015 | 07h00

ORLANDO - Os parques temáticos estão usando a tecnologia para reduzir os tempos de espera, mas isso não se limita às filas das atrações. Agora os parques começam a permitir que os visitantes escapem da fila do caixa e peçam comida antecipadamente.

Recentemente, o Disney World começou a receber pedidos antecipados online para o restaurante Be Our Guest e, nesse mês, a empresa testou um serviço de pedidos via smartphones para o restaurante Backlot Express e durante o espetáculo noturno Fantasmic!

Em novembro, o SeaWorld Orlando disse que os visitantes poderiam usar um aplicativo para pedir determinados itens do cardápio antecipadamente no SeaWorld Pizza. A SeaWorld Entertainment planeja expandir o sistema para mais de seus restaurantes e parques em meados do ano.

“Trata-se de algo muito conveniente, e esse tem sido o comentário feito pelos visitantes”, disse Cathy Valeriano, vice-presidente de operações culinárias da SeaWorld. “Não há dúvida que essa é a onda do futuro.”

Ainda assim, os restaurantes dos parques temáticos estão apenas molhando os dedos dos pés na água, se comparados aos demais restaurantes. Entre as redes oferecendo pedidos online há a Panera Bread e o Olive Garden (para os pedidos para viagem).

Os supermercados Publix deram início a um sistema de pedidos online em 2013 para os sanduíches na baguete e wraps. Os restaurantes e parques temáticos dizem estar respondendo aos clientes, que se mostram cada vez mais ligados em tecnologia e esperam novas conveniências.

Outro benefício é o fato de “trata-se de um dispositivo que poupa trabalho, pois eles não precisam de tantos caixas”, disse o professor de hospitalidade Chris Muller, da Boston University.

A redução da espera nas atrações e passeios é tida como um dos maiores desafios para os parques temáticos. As empresas do ramo de atrações consideram o problema das filas nos restaurantes como uma prioridade menor, disse Robert Niles, editor do blog Theme Park Insider.

“Para um restaurante, a comida é o principal. Num parque temático, com frequência a alimentação é secundária em relação às atrações”, disse ele. “Seu foco está em melhorar as filas para os espetáculos.”

Além disso, acrescentou Niles, há o problema de “quantos produtos para evitar filas podem ser lançados simultaneamente antes que o visitante do parque fique confuso”.

A Disney não quis conceder entrevista para a reportagem, mas uma porta-voz disse por e-mail que a empresa está respondendo às mudanças nas expectativas dos visitantes, ressaltando que seu projeto tecnológico bilionário MyMagic+ torna mais fácil a exploração de opções digitais.

A Universal Orlando não respondeu aos pedidos de entrevista. Em fevereiro, o restaurante Be Our Guest do Magic Kingdom, no Walt Disney World, começou a aceitar reservas para o almoço e permitir aos visitantes responsáveis por elas que façam pedidos com antecedência de até 30 dias. O pagamento é feito ao chegar no restaurante. É necessário usar o cartão de crédito para garantir a reserva.

O Be Our Guest também oferece aos comensais quiosques equipados com telas sensíveis ao toque. A Disney avaliou conveniências eletrônicas de todo o tipo, desde cardápios digitais personalizados até contratar garçons equipados com tablets para anotar os pedidos das pessoas nas filas das atrações.

Mas apresentar novas tecnologias aos visitantes dos parques temáticos pode ser complicado, disse Niles. “É muito difícil alterar o comportamento dos visitantes no ambiente do parque temático porque, com frequência, as pessoas estão de férias, e não querem analisar nada”, disse Niles.

É por isso que ligar tais recursos a um sistema como o MyMagic+, da Disney - usado pelos visitantes para fazer reservas antecipadamente - seria inteligente, disse Niles. “O sistema pede às pessoas que transfiram a maior parte do planejamento para um momento em que estejam em casa, com disposição mais analítica, o que funciona melhor do que apresentar-lhes uma série de opções quando estiverem no parque”, disse ele.

Durante um recente horário de almoço no SeaWorld, não havia ninguém retirando pedidos na janela destinada aos fregueses que usaram o aplicativo. O SeaWorld não quis revelar quantos fregueses usaram o serviço de pedidos antecipados, mas disse que este é mais utilizado durante o auge da temporada de férias.

O serviço foi lançado de maneira limitada, permitindo a compra de pizzas tamanho família por US$ 29,99, mas não os pedidos individuais. O SeaWorld disse que mais itens estarão disponíveis em meados do ano.

O SeaWorld está lançando também quiosques self-service. Em sua nova sorveteria Manta Soft Serve, os fregueses podem fazer o pedido e pagar com cartões de crédito ou débito no quiosque.

Mas muitos deixaram essa opção de lado, preferindo em vez disso a fila que conduzia a um caixa para pagamentos em dinheiro. Mas os turistas britânicos Toni Crews e Simon Wilkin disseram ter gostado da opção eletrônica.

A única queixa de Wilkin: “Tivemos que tirar os óculos escuros” por causa do brilho da tela. “Foi muito fácil”, disse Toni. “Estávamos comentando como a ideia é boa. Não há fila.”Tradução de Augusto Calil

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