Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Parte da bancada de policiais do PSL ameaça não votar reforma caso classe não seja atendida

Parlamentares ligados ao setor de segurança pública querem regras mais brandas de aposentadoria para a categoria do que as previstas atualmente na proposta

Camila Turtelli e Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 10h25

BRASÍLIA - Parte da bancada de policiais do PSL na Câmara dos Deputados ameaça não votar a reforma da Previdência caso as demandas da classe não sejam atendidas. O alerta vale tanto para a Comissão Especial quanto para o plenário da Casa, afirma o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP). Nem todos os 22 deputados desse grupo concordam com a retaliação, mas o partido já estuda liberar a bancada para a votação em plenário se o imbróglio se mantiver até lá. 

Os parlamentares ligados ao setor de segurança pública querem regras mais brandas de aposentadoria para a categoria do que as previstas atualmente na proposta. Na segunda-feira, 1, eles se reuniram com representantes das categorias e também com o relator, Samuel Moreira (PSDB-SP), e com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A intenção era a de que Moreira incluísse já em seu voto complementar as mudanças pedidas para que o partido não apresentasse destaque algum. Moreira, por sua vez, sinalizou que não iria ceder. O ministro da Economia, Paulo Guedes, também é contra a alteração pleiteada pelo PSL, que pode desidratar a reforma. 

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O líder da legenda na Câmara, Delegado Waldir (GO), disse que não endossa o movimento. "Somos governo e principais responsáveis pela aprovação da reforma da Previdência. Defendemos corporações, mas elas não estão acima do País", afirmou ao Estadão/Broadcast.

O deputado Alexandre Frota (PSL-SP), que é o coordenador da bancada do partido na Comissão Especial, também é contra. "Eu já bati o martelo, nós não vamos apresentar destaques, já está certo. O PSL não vai ser o culpado por desidratar o texto", disse. Frota afirmou também que alguns deputados da bancada da segurança já mencionaram a possibilidade de não se votar na reforma. "Isso pra gente não tem problema algum. Eles estão no direito dele. Apesar do PSL ter fechado questão, podemos reabrir a discussão e liberar a bancada na votação no plenário", disse.

O Estadão/Broadcast apurou que, caso o PSL apresente o destaque para abrandar as regras para os policiais na Comissão Especial, os partidos do 'Centrão' deverão votar a favor. Dentre as mudanças pedidas pelo PSL para a categoria, está, por exemplo, idade mínima de 55 para homens e 52 para mulheres, em vez de 55 para ambos os sexos como está no texto do relator. 

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