André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Parte do mercado já vê inflação acima de 9%

Na pesquisa de mercado do Banco Central, economistas que mais acertaram projeções esperam alta de preços em 2015 muito maior do que o teto da meta, de 6,5%

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

11 Maio 2015 | 09h14

Pela quarta semana consecutiva, os analistas elevaram a previsão para o IPCA deste ano. Pior do que isso, pela primeira vez, o grupo que mais acerta o resultado da inflação, o chamado Top 5, projeta agora que o índice ficará acima de 9%, bem acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 6,5%. A expectativa da pesquisa geral é que o índice oficial de inflação encerre 2015 em 8,29%, contra 8,26% da semana anterior. Há um mês, essa projeção estava em 8,13%. 

No Top 5 de médio prazo (grupo de economistas que mais acertou projeções) o movimento foi de alta, e forte. A mediana das estimativas para o IPCA deste ano passou de 8,73%, patamar em que estava há quatro semanas, para 9,02% esta semana. Na semana passada, o Banco Central afirmou, em ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que só vê a convergência da inflação para a meta ao final de 2016. 

Para o fim de 2016, a mediana das projeções para o IPCA caiu de 5,60%, mesmo número de quatro semanas atrás, para 5,51%. Já no Top 5 de médio prazo, a projeção para a inflação ao final do ano que vem caiu de 6,40%, mesmo nível de um mês antes, para 6,00%.

As expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente foram reduzidas de 5,96% para 5,94%. Há quatro semanas estava em 5,99%. Para maio, a mediana das previsões seguiu em 0,50%. A Focus trouxe hoje também a mediana das projeções para o IPCA de junho, que deve ficar em 0,30%, segundo o mercado - mesma taxa da pesquisa anterior e de quatro semanas atrás.

PIB. O desânimo do mercado financeiro com a atividade econômica também está cada vez mais evidente. A expectativa mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 é de uma queda de 1,20% ante 1,18% da semana anterior. Há quatro semanas, a projeção era de recuo de 1,01% no PIB deste ano. Para 2016, a mediana das projeções se manteve em crescimento de 1% pela quarta semana seguida.

Os resultados do PIB sofreram influência das expectativas sobre a produção industrial, cuja mediana das estimativas para este ano segue em baixa de 2,50% - a mesma de quatro semanas atrás. Para 2016, as apostas de expansão para a indústria seguem em 1,50% há cinco semanas consecutivas.

Os analistas esperam que a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB encerre 2015 em 37,95%, após oito semanas seguidas de mediana em 38,00%. Para 2016, as expectativas passaram de 38,70% para 38,50% - um mês antes, estava em 38,90%.

Selic. Mesmo depois da divulgação de uma ata do Comitê de Política Monetária (Copom) mais "agressiva" do que o esperado, o mercado financeiro manteve a previsão para a Selic no fim deste ano em 13,50%. 

A ação mais recente do Copom foi a de aumentar a taxa básica de juros de 12,75% ao ano para 13,25% ao ano e, depois da divulgação do documento sobre a reunião, o mercado entendeu que o BC continuará com sua política de elevação de juros. Isso, no entanto, não foi explicitado no boletim.

Há um mês, a estimativa observada no boletim era de que a Selic encerrasse 2015 em 13,25% ao ano. A taxa média esperada para este ano continuou em 13,22%. Quatro semanas antes, essa taxa média estava em 13,17% ao ano. Já para os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o Top 5 no médio prazo, a Selic encerrará este ano em 13,75% ao ano, ante expectativa anterior de 13,50%. 

No caso do fim de 2016, a mediana das projeções, que era mantida há 18 semanas seguidas em 11,50% ao ano, passou agora para 11,63%, o que indica uma clara divisão do mercado sobre o rumo dos juros no encerramento do ano que vem. Apesar disso, a previsão para a Selic média do ano que vem continuou em 12% pela quarta semana seguida. No caso dos Top 5, para 2016, a expectativa do grupo é de que a taxa fique em 12% ao ano, mesma previsão verificada há sete semanas.

Câmbio. O mercado financeiro também não fez alterações para o cenário de dólar este ano. De acordo com o documento, a mediana das estimativas para o câmbio no encerramento de 2015 seguiu em R$ 3,20. Quatro edições anteriores da Focus, a mediana estava em R$ 3,25. A taxa média prevista para este ano, no entanto, caiu de R$ 3,08 para R$ 3,07 - um mês atrás estava em R$ 3,13.

Já para 2016, a cotação final seguiu em R$ 3,30 pela quinta semana seguida. A taxa média para o ano que vem recuou de R$ 3,23 para R$ 3,21, mesmo patamar visto um mês antes.

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