Parte dos funcionários da Embrapa está em greve

A greve dos funcionários da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) continuará por tempo indeterminado, segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), Valter Endres. "A greve não tem tempo estabelecido", disse à Agência Estado.

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

04 de junho de 2009 | 16h29

A Embrapa reúne 8.617 funcionários, dos quais aproximadamente 1,2 mil atuam no Distrito Federal. De acordo com o chefe do departamento de Recursos Humanos da Embrapa, César Prata, ontem a greve atingiu 37% dos trabalhadores e hoje está em 35%. Pelos cálculos do sindicato, a adesão atinge 90% dos funcionários. "Das 41 unidades da Embrapa no País, sete não aderiram à greve e, em muitas outras, a greve foi aprovada, mas os funcionários continuam trabalhando normalmente", afirmou o chefe de departamento. "O número está expressivo e deve aumentar ainda mais", previu Endres.

O sindicato entregou a pauta de negociações para a empresa em 14 de abril e as negociações começaram no dia 28 do mesmo mês, quando a categoria apresentou uma lista com 65 cláusulas de reivindicações, entre elas a confirmação de que a data-base seria mantida em 1º de maio. Destas, segundo Prata, 36 foram atendidas na íntegra; seis, parcialmente e 23 pendentes - a maioria de âmbito econômico, admitiu Prata. "Das propostas econômicas, não deram resposta de nenhuma delas e agora alegam que fazem isso porque estamos em greve", disse o sindicalista.

Entre as principais reivindicações da categoria estão o índice de correção salarial e a isonomia de benefícios. A paralisação começou, no entanto, por causa de uma pendência na Justiça. A Embrapa paga aos funcionários que trabalham em laboratório um adicional de insalubridade, com base no valor do salário mínimo. Os funcionários que recebem o recurso extra, entretanto, ganharam, em princípio, na Justiça o direito de serem remunerados com referência no salário-base da categoria.

Após o segmento patronal recorrer da decisão, ficou estipulado que o valor voltaria a ser pago tendo como paralelo o salário mínimo, o que os trabalhadores não admitem. "Eles sabem que estão errados, esta é uma estratégia apenas de postergação", argumentou Endres. Prata admitiu que o ideal é que a Embrapa reduza a necessidade de pagamento desses trabalhadores, com a diminuição dos riscos durante o serviço, e não que fique discutindo os valores de referência. Há previsão de um próximo encontro entre os representantes da empresa e dos trabalhadores na próxima terça-feira.

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