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Participação da Varig no mercado cai e pode chegar a 10%

A participação no mercado doméstico da Varig - que já dominou o setor, com mais de 50% e hoje detém uma fatia de apenas 14,4% - caminha para um patamar de 10%, mantido, para as próximas semanas, o cenário de cancelamento de vôos registrado nos últimos dias. A projeção foi feita pelo especialista em aviação civil, Paulo Bittencourt Sampaio. Hoje, a empresa não divulgou balanço de cancelamentos, como fez nos dois dias anteriores, mas vôos previstos para o Rio e em outros aeroportos foram novamente suspensos.Em São Paulo, mais dois vôos domésticos da Varig foram cancelados. Segundo informou a companhia aérea, os dois sairiam do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, pela manhã: um com destino a Porto Alegre, com partida marcada para às 8h35, e outro para o Rio de Janeiro, às 9h30. Com isso, são 71 vôos cancelados desde o último final de semana. Além disso, os passageiros da companhia enfrentaram outro problema nesta quarta. Um vôo que partiria de Guarulhos às 11 horas, com destino a Manaus, Amazonas, foi adiado para as 14h30. Em Congonhas não havia sido registrado nenhum cancelamento. No Aeroporto Santos Dumont, a informação era de que cinco decolagens da ponte aérea para São Paulo foram canceladas, à tarde e à noite. Não foi informado o número de cancelamentos que também ocorreram pela manhã. No Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, pelo menos quatro partidas haviam sido suspensas, para Florianópolis e Brasília, além de chegadas de Brasília e de Foz de Iguaçu. Na Ponte Aérea, Sampaio informa que a taxa de ocupação da Varig tem sido na faixa de 36% há dois meses.O especialista explica que a continuar nessa "batida" a empresa terá uma forte reversão de tráfego, principalmente no mercado doméstico, no qual as opções são maiores, complementa Sampaio. Ele alerta que o efeito não se limita à redução da oferta. Na prática, os cancelamentos geram desconfiança entre os passageiros, que acabam ficando ainda mais cautelosos com a empresa. "Por isso, o reflexo na demanda é ainda maior", argumenta Sampaio.O consultor da Bain&Company, André Castellini, conta que o peso da empresa no mercado já quase representa um terço da Gol e a imagem vem sendo desgastada. Ele cita que, no curto prazo, a Varig corre o risco de ter que se concentrar em passageiros que estão apenas atentos à oferta de preços mais baixos, o que reduziria a receita. "A Varig precisa se relançar, para isso, precica de recursos, de um investidor forte", afirmou.

Agencia Estado,

14 de junho de 2006 | 19h57

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