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Participação daVale e OGX é limitada em leilão da ANP

Novatas no setor de petróleo, a Companhia Vale do Rio Doce e a OGX, do empresário Eike Batista, não poderão disputar sozinhas blocos em águas profundas na nona rodada de licitações de áreas para exploração de petróleo no País, prevista para o fim do mês. Segundo o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, as regras do leilão não permitem que empresas sem experiência participem da disputa como Operador A, categoria que permite a liderança de consórcios ou a disputa isolada por blocos em alto-mar.Vale e Batista anunciaram recentemente o início das atividades no setor de petróleo e gás, para o qual vêm se preparando com a contratação de experientes executivos do setor. Ambos têm interesse especial em reservatórios de gás natural, insumo imprescindível para as necessidades energéticas da atividade de mineração - onde Batista também atua por meio da MMX. A Vale já negocia com a Shell a entrada em projetos de exploração da multinacional no Espírito Santo, mas a estréia no setor, de fato, deve se dar por meio do leilão da ANP.A companhia informou ontem que a limitação imposta pela agência não atrapalha seus planos, já que solicitou à ANP a qualificação como Operador B, que permite a atuação em terra e águas rasas. Nenhum executivo da OGX foi encontrado para comentar o assunto. Lima admitiu que a regra dificulta a criação de grupos petroleiros nacionais, mas disse que será mantida este ano, para evitar o risco de contestação judicial do leilão. A cautela é motivada pela suspensão da oitava rodada, no ano passado, por uma liminar judicial.ALTERNATIVAO diretor-geral da ANP afirmou, porém, que uma alternativa poderá ser estudada para o leilão do ano que vem. No modelo atual, uma companhia novata teria de buscar experiência no exterior antes de disputar áreas em águas profundas em leilões da ANP. "Em vez de experiência prática, poderíamos avaliar a capacidade técnica do quadro de executivos das empresas", disse Lima, em entrevista ao Estado. A OGX tem em seus quadros executivos com passagem pela Petrobrás, como o ex-presidente Francisco Gros e o geólogo Paulo Mendonça, que ocupava a gerência de exploração da estatal. Já a Vale vem estruturando sua área de petróleo com consultoria do ex-diretor-geral da ANP David Zylbersztajn. Observadores próximos afirmam que a equipe de petróleo e gás da companhia também terá técnicos que já passaram pela Petrobrás. A limitação impede que as companhias liderem consórcio ou disputem sozinhas áreas de elevado potencial nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, por exemplo. O diretor-geral da ANP informou que 47 companhias já demonstraram interesse em participar do leilão, sendo 27 brasileiras. As empresas têm até o próximo dia 18 para confirmar sua participação na disputa.

O Estadao de S.Paulo

09 de outubro de 2007 | 00h00

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