Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Participação de banco estrangeiro no mercado de crédito está no menor patamar desde 1997

Estudo de 2012 do BC mostrou que instituições internacionais cobravam juros médios menores que os privados nacionais e estatais

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2017 | 21h25

BRASÍLIA - Enquanto o governo estuda medidas de incentivo à entrada de bancos estrangeiros no Brasil para incentivar a concorrência, dados do Banco Central mostram que a participação dessas instituições no mercado de crédito está no menor patamar desde 1997. Estudo do próprio BC publicado em 2012 revelava que, nos financiamentos às empresas, bancos internacionais cobravam juros médios menores que os privados nacionais e até mesmo que os estatais.

Conforme reportagem do Estado, a equipe econômica que acelerar o processo de queda do juro com o aumento da concorrência bancária que poderia ser gerado pela entrada de novas casas internacionais no mercado brasileiro. O desejo do governo acontece em um período em que a participação dos estrangeiros no mercado de crédito retrocedeu duas décadas.

Desde meados de 2016, a fatia da carteira de crédito total do sistema financeiro concedida por instituições financeiras de capital estrangeiro tem girado entre 12,4% e 12,6%. Já os privados nacionais responderam por média de 56,5% do mercado e estatais tiveram fatia de 31%.

Essa participação estrangeira é a menor desde fevereiro de 1997. Naquele mês, bancos de capital internacional respondiam por 12% do mercado de crédito.

Os números mais recentes não lembram em nada o auge da presença internacional no Brasil vivida a partir do fim da década de 1990. Em setembro de 2001, a fatia estrangeira chegou ao máximo histórico de 27,4% do mercado de crédito. Esse recorde foi resultado de uma série de fusões e aquisições: o espanhol Santander adquiriu o Banespa em 2000, o holandês ABN Amro ficou o Real em 1998, o espanhol BBVA comprou o Excel Econômico em 1998 e o britânico HSBC absorveu o Bamerindus em 1997, entre outras operações.

Nos últimos anos, porém, a fatia tem caído gradativamente com a saída de cena de muitas casas: HSBC e BBVA, por exemplo, foram absorvidos pelo Bradesco e o Citibank foi comprado recentemente pelo Itaú. A recente queda da participação vista em julho de 2016, aliás, coincide com a transferência das operações do HSBC para o Bradesco, que aconteceu naquele mês.

Juros. No BC, estudo produzido pelos pesquisadores Raquel de Freitas Oliveira, Rafael Felipe Schiozer e Sérgio Leão publicado em novembro de 2012 defende a presença dos estrangeiros no País. "De modo geral, podemos notar que os bancos de controle estrangeiro têm um importante papel no sistema bancário brasileiro", cita o estudo.

O principal argumento dos pesquisadores é que essas instituições incentivam a concorrência com a redução de custos aos clientes, especialmente empresas. "Entre as mais importantes modalidades de créditos livres, as taxas de juros cobradas pelos bancos estrangeiros para pessoas jurídicas são, em média, inferiores às taxas cobradas pelos bancos privados nacionais e públicos", ressalta o estudo, que também ressalta a participação dessas casas no mercado de derivativos financeiros. 

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