Participação de estrangeiros na dívida pública cai R$ 4,3 bilhões

Segundo o Tesouro, a participação dos investidores do exterior caiu de 11,75% para 11,29% em setembro

FABIO GRANER , ADRIANA FERNANDES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2011 | 03h07

Em um mês marcado por alta turbulência nos mercados internacionais, os investidores estrangeiros reduziram em R$ 4,3 bilhões sua presença na dívida pública interna em títulos. Foi a primeira queda desde fevereiro.

Segundo dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional, a participação dos investidores do exterior na dívida interna caiu de 11,75% em agosto para 11,29% do estoque de títulos em setembro. No mês passado, a dívida pública federal (interna e externa) cresceu R$ 40,3 bilhões (2,28%), atingindo R$ 1,81 trilhão.

Enquanto os investidores estrangeiros desmontaram parte de suas posições no Brasil, as instituições financeiras que operam no País e os fundos de previdência ganharam terreno. O primeiro grupo elevou de 30% para 30,45% sua presença na dívida de agosto para setembro, atingindo R$ 524,85 bilhões. Os fundos de previdência, por sua vez, passaram de 14,60% para 15,51%, alcançando R$ 267,36 bilhões.

O coordenador de Operação da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, avaliou que o movimento dos estrangeiros em setembro foi "pontual". Segundo ele, essa queda é decorrente de flutuações normais de mercado e não preocupa o Tesouro. "Continuamos acreditando na tendência de aumento gradual", disse.

Nos números de setembro, outro destaque foi o volume de emissões de papéis com remuneração prefixada (taxa de juros travada no momento da venda do título). Foram colocados, já descontando-se os vencimentos do período, R$ 15,8 bilhões, quase cinco vezes mais do que os R$ 3,8 bilhões vendidos em títulos com remuneração vinculada à inflação. Os títulos vinculados à taxa Selic, por outro lado, tiveram resgate líquido (vencimentos superando as novas emissões) de R$ 6,3 bilhões. Em períodos de queda na taxa de juros, os investidores buscam mais esse tipo de papel, já que o juro está garantido e o rendimento ainda pode ser maior, caso as reduções da taxa Selic sejam mais pronunciadas do que o previsto pelo mercado.

Apesar da colocação mais intensa de títulos prefixados em setembro, o estoque desse tipo de papel ainda está abaixo da meta definida pelo Tesouro para o ano. O objetivo do governo é estabelecido em relação à dívida total (interna e externa). No mês passado, os prefixados representavam 35,24% da dívida pública, enquanto a meta para esse indicador no fechamento do ano é de no mínimo 36%.

Apesar desse quadro, Fernando Garrido disse que trabalha com um cenário de cumprimento de todas as metas do Plano Anual de Financiamento (PAF). "A expectativa é chegar em dezembro com todos os indicadores dentro das bandas do PAF."

Sobre a grande emissão de papéis prefixados em setembro, Garrido explicou que a escolha se deveu ao fato de que os títulos atrelados a índices de preços já estão com mais folga dentro da programação do PAF, enquanto os prefixados ainda estão fora da banda prevista para o ano.

Externa. Por causa da alta do dólar, a dívida pública externa subiu em setembro R$ 9,3 bilhões, para R$ 84,82 bilhões, uma elevação de 12,4% . Já a dívida interna teve uma expansão de R$ 30,96 bilhões em setembro, em boa parte por causa do impacto da correção dos juros no estoque de títulos, que somou R$ 17, 66 bilhões.

No ano, a dívida pública total teve uma alta de R$ 114,7 bilhões.

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