Participação de estrangeiros no Brasil aumenta 81% em 7 anos

Sobeet aponta ainda que investimento de brasileiros no exterior cresceu 55% no mesmo período

Fabio Graner, da Agência Estado,

16 de novembro de 2007 | 15h58

Nos últimos sete anos, a participação de investidores estrangeiros no Brasil cresceu 81%, mostrando uma tendência de forte internacionalização da economia brasileira. A constatação é da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), em sua carta bimestral.   Para chegar a este número, a instituição analisou o chamado passivo externo bruto - composto de investimentos estrangeiros diretos (IED), investimentos de portfólio e dívida em mãos de estrangeiros. No período, o volume subiu de US$ 372,06 bilhões para US$ 673,69 bilhões.   Em termos líquidos, o passivo externo do País subiu menos: 54,4%. Isso porque os investimentos mantidos por brasileiros no exterior passaram de US$ 264,97 bilhões em 2001 para US$ 409,10 bilhões em março de 2007, a última posição disponível divulgada pelo BC.   A Sobeet analisa este período porque, a partir do ano 2000, uma série de medidas legais foram adotadas no sentido de ampliar a abertura financeira do País, facilitando a vida dos investidores estrangeiros e dos brasileiros que vão ao mercado externo.   Vulnerabilidade   Apesar do aumento da exposição externa líquida do País, a Sobeet avalia que a vulnerabilidade externa se reduziu de forma "inegável". O documento destaca, nesse sentido, o significativo acúmulo de reservas internacionais, permitido pelos elevados saldos na balança comercial e pelo fluxo de capital financeiro.   Mas a Sobeet lembra que isto teve custo. "Apesar de crucial para a redução da vulnerabilidade externa, o acúmulo de reservas envolve um custo fiscal devido ao diferencial entre as taxas de juros interna e a externa", diz a Sobeet.   Mesmo reconhecendo o custo, a política de acumulação de reservas, para a Sobeet, é "desejável", pois amplia a capacidade de o BC enfrentar volatilidades no mercado de câmbio. "Nesse sentido, a experiência dos anos 1990 sugere que as reservas devem ser formadas a partir do superávit de transações correntes (arrecadação menos despesas, exceto o pagamento de juros) e do IED, cujos fluxos de divisas se mostraram mais estáveis", diz a Sobeet.   Impacto   A Sobeet também analisa que o crescente fluxo de capitais para o Brasil, tanto decorrente do comércio exterior como de capitais financeiros, determinaram a apreciação do real nos últimos anos. Outra conseqüência desse maior fluxo de capitais foi a aproximação dos ciclos econômicos nacionais e internacionais.

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