Participação do Brasil no Mercosul cresceu nos últimos 6 anos

O peso do Brasil nas compras dos parceiros do Mercosul subiu de 24% para quase 32,4% nos últimos seis anos, enquanto a presença conjunta dos sócios do bloco encolheu de 17,2% para 9,2% na pauta de exportação brasileira no período. A desproporção explica boa parte dos conflitos comerciais entre os países do bloco, principalmente, o Brasil e a Argentina. Os dados fazem parte de uma análise preparada pelo diretor-executivo da Fundação Centro de Estudos em Comércio Exterior (Funcex), Ricardo Markwald, que será divulgada na revista oficial da entidade.Para o economista, um argentino naturalizado brasileiro, os países do bloco deveriam definir, em consenso, uma espécie de "salvaguarda consensuada" para casos de conflito. Markwald qualifica como "um absurdo" a idéia de salvaguardas automáticas, que o governo argentino defende. "Era melhor ter uma regra clara, um instrumento conjunto, previsível, acordado pelos parceiros, com prazos limitados", afirmou.Para ele, uma regra deste tipo daria garantias ao Brasil que a Argentina não faria uso abusivo do mecanismo. Ele argumenta que a alternativa evitaria "uma disputa a cada três meses e uma briga a cada dois dias na imprensa" entre os dois países.Medidas necessáriasNo estudo, Markwald defende, para a recuperação do Mercosul, outras medidas, como políticas conjuntas de promoção de investimentos, assistência técnica e reestruturação da produção e o fortalecimento institucional do acordo."Na ausência de mudanças nessa direção, é difícil imaginar que a política comercial do atual governo consiga superar as ambigüidades que vêm caracterizando até o presente a posição brasileira frente ao Mercosul", conclui o economista, em sua análise.Segundo especialistas, o Brasil adota um discurso pró-integração, mas efetiva poucas medidas práticas neste sentido. Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Luiz Fernando Furlan, disse que o País é contra adoção de salvaguardas unilaterais e que Argentina e Brasil deveriam deixar de ficar apenas "apagando incêndios" e começar a trabalhar em conjunto. Segundo ele, há estudos em curso sobre os setores industriais dos dois países.

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