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Participação do crédito no PIB é recorde apesar de juro em alta

Operações somam R$ 1,086 tri em julho, o equivalente a 37% do PIB, o maior patamar desde janeiro de 1995

Reuters e Agência Estado

25 de agosto de 2008 | 10h50

As operações de crédito oferecidas pelo sistema financeiro do País bateram novo recorde em julho, apesar da alta da taxa de juros cobrada pelos bancos - tanto para as pessoas físicas quanto para as empresas. As operações somaram R$ 1,086 trilhão em julho, um aumento de 1,7% em relação ao verificado em junho, mostraram dados divulgados nesta segunda-feira, 25, pelo Banco Central. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o montante de crédito em julho somou o equivalente a 37%, atingindo o maior patamar desde 1995. Veja também:Juro do cheque especial sobe 24,6 pontos no ano, aponta BCConfiança do Consumidor cresce 6,2%, diz FGV  Mercado reduz estimativa de inflação para 6,34%  Alimentos têm maior queda desde julho de 2006   A taxa média de juro cobrada pelos bancos em julho subiu para 39,4%, frente a 38% em junho. O spread, que representa a diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada dos clientes, ficou em 25,6 pontos percentuais, ante 24,5 pontos no mês anterior. Para as pessoas físicas, o juro médio praticado em julho ficou em 51,4% ao ano, enquanto a taxa cobrada das empresas atingiu o patamar de 27,5% ao ano.  Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, a ampliação dos prazos de pagamento é que tem permitido que as famílias continuem tomando crédito mesmo com a alta dos juros. "O prazo mais elástico faz com seja possível adequar a elevação da taxa de juros ao orçamento dos tomadores", diz. Ele observa que o alongamento das operações ocorre apenas para as pessoas físicas. Na média, o estoque das operações para as famílias teve prazo de 467 dias em julho, contra 466 dias em junho. O aumento de um dia, no entanto, não representa fielmente o que tem ocorrido no mercado, comenta Altamir, uma vez que a ampliação do prazo vista nas novas operações acaba sendo diluída. Isso porque o indicador trata do total de todos os empréstimos existentes no mercado. Não há levantamento sobre o prazo das novas concessões. Para Altamir, o prazo só cresce porque a renda familiar dos tomadores continua em expansão. Recentemente, varejistas anunciaram alongamento dos financiamentos para que o efeito do aperto monetário seja menos sentido pelos clientes. Altamir observa, porém, "que há limite" para essa ampliação. "O espaço (para o alongamento dos empréstimos) está se reduzindo", diz. Em 12 meses, o prazo cresceu 59 dias. Nas operações para as empresas, o prazo médio diminuiu de 303 para 299 dias entre junho e julho. Na média, o período de todas as operações de crédito do mercado caiu um dia, de 374 para 373 entre um mês e outro. Altamir apresentou dados que mostram que a tendência de crescimento do crédito continua neste mês de agosto. Eles apontam que o estoque dos empréstimos cresceu 1,8% em agosto em levantamento feito até o dia 13. Nas linhas voltadas às empresas, a expansão foi de 2,1% na comparação com julho e nas operações para as famílias, a elevação foi de 1,4%. Leasing Nas operações voltadas às pessoas físicas, o crédito continua sendo liderado pelo leasing, principalmente aquele voltado à compra de veículos. Em julho, a expansão foi de 7,8% na comparação com junho, para R$ 49,044 bilhões. Em 12 meses, a carteira do leasing para a pessoa física saltou 141,7%. Formalmente, o leasing é uma operação de arrendamento mercantil. Por essa característica, a operação tem juros menores que o financiamento tradicional (como o crédito direto ao consumidor) porque o bem adquirido permanece no nome da instituição financeira até o final dos pagamentos, o que dá mais segurança ao banco em caso de inadimplência. Além disso, a operação não paga o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A equipe econômica, no entanto, já admitiu que estuda a possibilidade de iniciar a cobrança do imposto nesse tipo de operação. Outro destaque entre as operações para as famílias ficou com o crédito imobiliário, que cresceu 3,3% entre junho e julho, para R$ 51,151 bilhões. Em 12 meses, a expansão acumula 30,2%. Inadimplência  A taxa de inadimplência voltou a subir em julho. Segundo o BC, a parcela dos pagamentos com atraso superior a 90 dias subiu de 4% em junho para 4,2% em julho. O aumento da inadimplência ocorreu apenas nas operações para as pessoas físicas, cuja taxa subiu de 7% para 7,3%. Nas transações para as empresas, a inadimplência média ficou em 1,7% das operações, em igual patamar ao registrado em junho.

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