Participação dos EUA no Citigroup deve chegar a 36%

O governo norte-americano vai aumentar sua participação no Citigroup para até 36 por cento após um acordo para reforçar a base de capital do banco, num dos mais dramáticos esforços até agora para reanimar o combalido setor. O governo dos Estados Unidos vai converter em ordinárias até 25 bilhões de dólares em ações preferenciais que possui do banco, diluindo drasticamente a participação dos acionistas já existentes. O Citigroup vai interromper o pagamento de dividendos sobre ações preferenciais e ordinárias e prometeu mudar seu conselho de diretores. O anúncio feito nesta sexta-feira não injeta mais dinheiro imediatamente no banco, mas dá ao presidente-executivo, Vikram Pandit, tempo para enxugar a terceira maior institutição dos EUA, vender ativos não desejados e recuperar a confiança dos investidores. O acordo também dá ao governo mais voz nos assuntos ligados ao Citigroup. "O governo é o novo chefe", disse Mike Holland, fundador da empresa de gestão de recursos Holland & Co, em Nova York. "Qualquer grande decisão não virá da Park Avenue, mas de Washington." Separadamente, o Citigroup informou ter recolhido mais de 8,9 bilhões de dólares em encargos no trimestre mais recente para fazer frente à baixa contábil de ativos intangíveis e da Nikko Asset Management no Japão. Os encargos acentuaram a perda do quarto trimestre para mais de 17 bilhões de dólares e do ano para 27,7 bilhões de dólares. ACIONISTAS PARTICIPAM A operação é o terceiro pacote de ajuda que o Citigroup obtém do governo desde outubro. O banco já havia emitido 45 bilhões de dólares em ações preferenciais e conseguido apoio para limitar as perdas ligadas a 301 bilhões de dólares em ativos tóxicos. O banco oferecerá trocar ações ordinárias por até 27,5 bilhões de dólares de suas ações preferenciais, a 3,25 dólares por ação. O governo, então, entrará na troca com até 25 bilhões de dólares de suas ações preferenciais, dado que os investidores privados farão o mesmo. O Citigroup informou que investidores incluindo o príncipe saudita Alwaleed bin Talal, o Singapore Investment Corp. e outros concordaram em trocar suas ações preferenciais. Segundo o banco, a troca deve resultar em aumento de suas ações para até 21 bilhões, frente aos atuais 5,5 bilhões. Isso aumenta uma das medidas de capital do banco. O acordo ocorre mais de uma semana após negociações entre o Tesouro e o Citigroup, que já foi o maior banco do mundo e tinha valor de mercado de cerca de 270 bilhões de dólares. A expectativa é de que o Citigroup e outros grandes bancos passem por "testes de estresse" em breve para avaliar sua capacidade de lidar com a severa recessão e ver se precisam de mais capital.

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