Participação estrangeira na DPMFi é recorde em agosto

A participação de estrangeiros no total da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFI) bateu novo recorde em agosto e atingiu 10,06%. Segundo dados divulgados hoje pelo Tesouro, os estrangeiros detinham em agosto R$ 150,6 bilhões do total de R$ 1,544 trilhão da DPMFI. Em julho, a parcela de estrangeiros correspondia a 9,54%, o equivalente a R$ 141 bilhões. Há um ano atrás, o estoque de estrangeiros na dívida era de 6,36%.

ADRIANA FERNANDES E FABIO GRANER, Agencia Estado

23 de setembro de 2010 | 16h29

Segundo o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, em setembro também se observa a tendência de aumento da parcela de estrangeiros na dívida. A expectativa do Tesouro, disse ele, é de que essa parcela tenha um crescimento gradual, como vem ocorrendo nos últimos anos. Ele disse, ainda, que o Tesouro não tem meta para o crescimento da parcela de estrangeiros na dívida interna. Há espaço para essa expansão quando se observa esse indicador em outros países com economias semelhantes a brasileira. No México, a parcela de estrangeiros em sua dívida interna é superior a 15% e nos países do Leste Europeu, superior a 20%.

Garrido avaliou que depois que o Brasil obteve o grau de investimento pelas agências de classificação de risco, houve uma melhora do perfil dos investidores que estão aplicando seus recursos na dívida interna brasileira. Além de uma maior diversificação do tipo de investidores estrangeiros, houve um aumento daqueles que têm o perfil de ficar por mais longo prazo com os papéis.

Aplicando na dívida interna brasileira, há fundos de pensão dos Estados Unidos, fundos de pensão europeus, seguradoras, administradoras de fundos, investidores asiáticos, de varejo, fundos soberanos de países do Oriente Médio e da Ásia. "São vários tipos com perfis de investimento de longo prazo", disse Garrido, lembrando que essas aplicações de longo prazo dão mais tranquilidade ao Tesouro, já que o capital é menos volátil (quando sai rapidamente).

Ele lembrou que, antes da crise de 2008, a participação de estrangeiros correspondia a cerca de 5% do total da dívida interna e havia muitas aplicações nos chamados hedge funds, que são recursos voláteis. Depois da crise, destacou Garrido, essas carteiras diminuíram, o que ajudou a melhorar o perfil do endividamento interno do Brasil.

Ele disse que as aplicações dos estrangeiros na dívida só trouxeram benefícios para o País, porque contribuíram para a redução do custo do Tesouro Nacional, isso porque os investidores estrangeiros têm um apetite maior por papéis pré-fixados e atrelados a índices de preço com prazo de vencimento mais longo. Então com a demanda maior dos investidores estrangeiros, o que tem ocorrido, segundo ele, é o alongamento dos prazos e a redução das taxas. Ele destacou que os estrangeiros detêm 50% do estoque de papéis pré-fixados de longo prazo.

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