Participação feminina no mercado de trabalho estagnou

Após dez anos de crescimento consecutivo, a participação das mulheres no mercado de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), como ocupadas ou desempregadas, sofreu estagnação em 2006, com taxa de 55,4%, ante 55,5% verificada em 2005. Já a participação dos homens manteve tendência de queda, e caiu, de 72,4% em 2005, para 71,3% no ano passado, mas ainda assim representa maioria no mercado. Já os ganhos femininos por hora cresceram mais que os masculinos, 4,7% e 2% respectivamente, embora as mulheres ainda ganhem menos. É o que revelou o estudo sobre o mercado de trabalhão feminino divulgado nesta terça-feira pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).Embora esteja no maior patamar desde o início da pesquisa, a taxa da participação das mulheres não registrou crescimento pelo segundo ano consecutivo. Segundo o levantamento, houve incremento entre as mulheres de 60 anos ou mais (3,1%), de 50 a 59 anos (2,3%) e as casadas (1,1%) e redução da participação entre crianças e adolescentes, de 10 a 17 anos, (7,4%), entre os demais moradores da residência, como parente ou agregado, (5,7%) e entre negras (0,5%).O desemprego entre as mulheres continua superior a dos homens, mas houve uma redução. Entre 2005 e 2006, a taxa de desemprego total da População Economicamente Ativa (PEA) feminina caiu de 19,7% para 18,6%. Segundo o estudo, este é o terceiro ano consecutivo do decréscimo e é atribuído ao crescimento do nível de ocupação, que indica que uma parcela das que estavam desempregadas conseguiu algum tipo de ocupação. Também houve queda entre os homens - de 14,4% para 13,4%. Mesmo com a diminuição na taxa feminina, a diferença entre as taxas de desemprego é a maior desde 2001, afirma a Seade.Por sua vez, aumentou em 2,5% o nível de ocupação feminina. O crescimento se dá pelo oitavo ano consecutivo, conforme a pesquisa, apesar de ter registrado taxas melhores em 2004 (4,1%) e em 2005 (4,2%). O incremento, aponta a pesquisa, deve-se ao bom desempenho dos Serviços (4,5%), Indústria (2%) e do Comércio (1,4%). Entre as áreas de Serviços, destaca-se o crescimento das áreas de Administração Pública, Forças Armadas e Polícia (16,9%), Financeiros (10,5%) e Transportes e Armazenagem (10%). Pela primeira vez em oito anos foi detectado diminuição no nível de emprego de Serviços Domésticos (2,1%). O nível ocupacional entre os homens teve crescimento em ritmo menor: 1,0%.RendimentosOs ganhos femininos cresceram mais que os masculinos em 2006, mas ainda continuam inferiores. Enquanto as mulheres ganharam em média R$ 869 por mês em 2006, os homens receberam R$ 1.291.O rendimento médio real por hora - comparação mais adequada já que a jornada de trabalho média difere entre homens e mulheres, de 39 e 45 horas respectivamente em 2006 - feminino foi de R$ 5,21, o que representa um crescimento de 4,7% em relação a 2005, e o masculino de R$ 6,70, crescimento de 2%. As assalariadas e empregadas domésticas tiveram os maiores ganhos de rendimento médio por hora, de 2,4% e 6,5% respectivamente, por conta da ampliação do salário mínimo, que foi a maior dos últimos anos.Isso significa que as mulheres recebem apenas 77,7% do que recebem os homens. Houve melhoria em relação a 2005, quando elas ganhavam o equivalente a 75,7% dos rendimentos masculinos. A menor diferença de salários entre os gêneros foi verificada no setor de Serviços (remuneração das mulheres correspondente a 94,2% da dos homens) e a maior na Indústria (68,5% dos ganhos masculinos). Entre a camada com nível superior completo, em 2006 as mulheres receberam 70,7% do que ganharam os homens.O rendimento familiar médio também subiu. Com um crescimento de 0,6%, passou a valer R$1.809 em 2006. De acordo com a pesquisa, a participação dos cônjuges se ampliou, o que indica maior presença das mulheres no mercado de trabalho.

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