Participação relâmpago de Meirelles em seminário gera mal estar

A breve participação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no almoço-conferência do Ibef-SP, gerou um clima de mal-estar entre os executivos. Agendado para às12h, o evento começou 40 minutos atrasado à espera de Meirelles.Quando ele começou a discursar, avisou que teria de ser breve, porque tinha um vôo reservado para Brasília. Fez uma exposição de 22 minutos em que ignorou as denúncias publicadas pela imprensa no fim-de-semana e saiu às 13h10, para tentar embarcar no vôo das 13h48 para Brasília. Em seguida, os executivos almoçaram sem a participação do principal convidado para o evento.Até a um personagem de um antigo desenho animado, o "Leão das Montanhas", Meirelles foi comparado por um executivo que divertia um grupo com a brincadeira. A cada problema ou adversidade, o "Leão das Montanhas" repetia: "Saída pela direita" e escapulia.Ao término de sua palestra, Meirelles saiu por uma porta à direita da mesa principal do salão de almoço, evitando dezenas de jornalistas que pretendiam perguntar-lhe sobre as denúncias das revistas semanais e também os mais de 200 executivos reunidos num salão do Hotel Intercontinental. "Foi a primeira vez que um convidado não fica para responder perguntas", repetia um assessor do Ibef.Discurso vazio"Ele quis evitar saias justas", comentava um grupo de executivos, enquanto esperava o manobrista trazer os carros, à saída do almoço. Neste grupo, uma senhora não se conformava com o discurso de Meirelles que reunia uma série de indicadores recentes sobre a economia brasileira. "Qualquer um faz um discurso desses", dizia essa executiva.Um de seus interlocutores ponderava que Meirelles insistiu que o País está crescendo, quando ninguém duvida, mas não mencionou os gargalos que podem frear a recuperação, ou mesmo a possibilidade da retomada da alta da taxa Selic. Inconformado, outro executivo estrangeiro, com forte sotaque, dizia que o presidente do BC só mostrou os indicadores que lhe interessava - "os bons", segundo ele. "Não ficou para que pudéssemos perguntar do que vai mal", comentou.

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