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Participação ''''solitária'''' da estatal intriga investidores

Para um deles, função da Eletronorte na disputa seria a de jogar os valores das tarifas para baixo, pois ?ela não tem compromisso com taxas de retorno?

Renée Pereira e Alaor Barbosa, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

A lista de inscrição para participar do leilão da Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, divulgada ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), intrigou os investidores. Ninguém entendeu bem a participação isolada da Eletronorte na disputa, o que trouxe preocupação e algumas especulações.O maior temor, segundo um investidor ligado ao processo, é que a estatal faça, no leilão do Rio Madeira, o mesmo que o grupo Eletrobrás tem feito nos leilões de transmissão de energia elétrica. "Ela pode dar lances baixos e jogar o preço lá embaixo, já que não tem compromisso com taxas de retorno. Isso a gente tem verificado nos leilões de transmissão", afirmou a fonte. Nessas disputas, tem vencido quem oferece a menor tarifa para construir a obra.Se isso ocorrer e a Eletronorte sair vencedora, mais tarde poderá se associar a outros investidores, inclusive com as demais estatais, como Chesf e Eletrosul. Furnas, porém, não poderia participar por causa de cláusula contratual com a Odebrecht. "Na prática, é como se a própria Eletrobrás tivesse se inscrito para o leilão", comentou outra fonte, que está participando da montagem de um dos consórcios. "De outro lado, a Eletronorte sozinha não tem condições financeiras de tocar o empreendimento e o BNDES não pode financiar as empresas estatais. Não sei como a Eletronorte vai viabilizar sua participação", complementou a fonte, destacando, porém, que o governo pode tudo. Até ontem à tarde, estava praticamente certo no mercado que a Eletronorte participaria da disputa ao lado da Alusa. Mas, na última hora, decidiu entrar sozinha. Segundo fontes do setor, as duas empresas não conseguiram chegar a um acordo sobre as condições do consórcio. Outra surpresa foi a participação de apenas 0,9% da Camargo Corrêa. Depois da briga escancarada com a Odebrecht, a construtora decidiu reduzir sua participação no leilão. O consórcio da empresa é formado por CPFL (25,05%), Endesa (25,05%) e Chesf (49%). Mas detalhe: a Camargo é uma das controladoras da CPFL ao lado de Votorantim .A hora da verdade vai ocorrer na sexta-feira que vem, quando os consórcios entregarão as garantias para participar do leilão. Há quem duvide da capacidade de alguns grupos inscritos ontem. "As garantias são muito elevadas. Não sei se todas as companhias interessadas terão capacidade de fazer os aportes exigidos por lei", destacou uma fonte da área.

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