Participante de ação comprou papéis no fim de outubro

Peter Kaltman, primeiro a entrar no processo contra a Petrobrás nos EUA, adquiriu as ações apenas em 28 de outubro

ALTAMIRO SILVA JUNIOR , NOVA YORK , VINICIUS NEDER / RIO , O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2014 | 02h04

O contador aposentado americano Peter Kaltman, primeiro investidor a participar da ação coletiva contra a Petrobrás nos Estados Unidos, comprou os papéis da estatal na Bolsa de Nova York apenas em 28 de outubro - na ação, ele afirma que não adquiriu os papéis apenas para participação do litígio. São mil ADRs (American Depositary Receipts, que valem pelas ações da estatal brasileira), equivalentes a US$ 11,6 mil.

Para o advogado André de Almeida, sócio do Almeida Advogados, que trabalha com o escritório Wolf Popper na ação iniciada na Corte Distrital de Nova York, o fato de Kaltman ter comprado as ações em 28 de outubro, quando os escândalos na Petrobrás já tinham vindo à tona, não enfraquecem o processo, pois comprar ações de uma empresa em dificuldades é "prática usual nos Estados Unidos".

Além disso, do ponto de vista da Justiça americana, o que contaria são os fatos descritos no processo e, como a ação coletiva beneficia todos os detentores de ADRs, o juiz não julgaria a relação do autor inicial da ação com a empresa.

"A ação beneficiará todos os detentores de ADRs, se os fatos forem considerados procedentes", disse Almeida.

Interessados. Segundo o Wolf Popper, alguns interessados já se manifestaram ontem com intenção de aderir à ação, incluindo fundos dos Estados Unidos, mas até agora a maioria foi de investidores brasileiros que têm ADRs, como informou Almeida ao Estado.

Kaltman perdeu dinheiro na crise de 2008, ao comprar papéis de um banco que provocou prejuízos de US$ 7 bilhões no mercado por operar em um esquema de pirâmide, semelhante ao do investidor Bernard Madoff. O contador, de 68 anos, tem residência em Nova York e no Estado de Nevada.

O investidor é cliente antigo do Wolf Popper. O escritório é conhecido nos Estados Unidos por sua especialidade no mercado acionário. Ao longo dos anos, já entrou com várias ações coletivas para investigação de fraudes em várias grandes empresas, que incluem a fabricante de celulares Motorola, a fabricante de armas Smith & Wesson, o Deutsche Bank e a montadora Navistar International.

A Motorola foi um dos maiores casos do Wolf Popper. O processo durou quatro anos e o escritório recuperou US$ 190 milhões de investidores. A acusação era de que a companhia inflou o valor das ações ao divulgar informações enganosas ao mercado.

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