Partido aliado de Merkel enfrenta crise

Secretário-geral do Partido Democratas Livres renuncia ao cargo em meio a divisões internas quanto às propostas de salvação do euro

DER SPIEGEL, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h05

A crise do euro acumulou muitas vítimas políticas. O primeiro-ministro grego Giorgios Papandreou caiu pela maneira como manejou as medidas de austeridade draconianas em seu país e seu colega italiano, Silvio Berlusconi, não conseguiu suportar as pressões da dívida soberana.

Portugal, Irlanda e Espanha também viram seus governos desmoronarem por causa dos problemas com a moeda comum.

Agora, a impressão é de que os ventos da mudança começaram a soprar em Berlim. Na manhã de ontem, Christian Lindner, secretário-geral do Partido Democratas Livres (FDP, na sigla em alemão), parceiros menores da coalizão da chanceler Angela Merkel, anunciou que estava deixando o cargo de seu partido.

A medida chega num momento delicado para o FDP. O partido é estratégico para Merkel, mas passou mais de um ano lutando contra sondagens de opinião negativas.

Ademais, tirou muito pouca vantagem do apoio a Merkel. Aliás, se as eleições fossem domingo, pesquisa mostra que receberia apenas 3% dos votos, insuficientes para uma representação parlamentar.

Não bastasse isso, o FDP está dividido sobre sua atitude ante a crise do euro e o fundo de salvamento permanente, o Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE). O MEE deve substituir o Fundo Europeia de Estabilidade Financeira (Feef), em 2012, mas parte significativa das bases do FDP é contrária ao MEE e gostaria que o FDP rejeitasse o plano.

Aliás, o grupo centrado em torno do parlamentar renegado do FDP, Frank Schäffler, exigiu recentemente a realização de uma votação interna no partido para determinar o futuro do FDP em questões sobre o salvamento da moeda comum.

A votação se encerrou na terça-feira e os resultados serão divulgados amanhã. É essa votação que causou a renúncia de Lindner ontem. Tanto ele como o chefe do partido, Philipp Rösler, declararam prematuramente no fim de semana que a votação havia fracassado, pois o comparecimento não fora suficiente.

Como ainda restavam dois dias, membros do FDP acusaram a dupla de procurar influenciar o resultado da votação.

Racha do partido. "Os eventos dos últimos dias e semanas fortaleceram minha convicção" de que uma mudança é necessária, disse Lindner. "Essa percepção me levou à conclusão, por respeito ao meu partido e ao compromisso com o que ele representa, de renunciar." Thomas Oppermann, veterano membro da oposição social-democrata de centro esquerda no Parlamento, disse que Linder era "um bode expiatório" para manter Rösler no cargo "por mais alguns dias".

Mesmo que a votação fracasse por falta de votos, o racha do partido não desaparecerá rapidamente. A liderança partidária foi fraca desde que os números das pesquisas começaram a cair logo após as eleições de 2009. Em abril deste ano, o líder partidário de longa data,

Guido Westerwelle, atual ministro das Relações Exteriores da Alemanha, renunciou em favor de Rösler.

Rösler, porém, fez pouco para mudar a sorte do partido e com frequência teve dificuldade de encontrar sua voz na crise do euro. Aliás, várias vezes o partido teve de inverter o curso no último minuto para evitar um racha com Merkel e seus conservadores. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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