Páscoa chega nos supermercados antes do Carnaval

Parte da venda antes do tempo é motivada pelo desafio de conquistar consumidor ainda de ressaca das dívidas

Márcia de Chiara, de O Estado de S. Paulo,

29 de janeiro de 2008 | 20h00

Grandes redes de supermercados já começaram a vender ovos de Páscoa antes mesmo da chegada do carnaval. Desde o início desta semana, as lojas do Grupo Pão de Açúcar, do Wal-Mart e do Carrefour exibem em suas prateleiras mini ovos de chocolate e coelhinhos da Páscoa. A antecipação se deve em parte ao calendário deste ano, no qual o carnaval e a Páscoa ocorrem mais cedo. Mas uma boa parte da venda antes do tempo desses itens é motivada pelo grande desafio do comércio e da indústria de conquistar o consumidor ainda de ressaca das dívidas de fim de ano e de férias e que acaba de gastar com matrículas e materiais escolares. "Vamos ter neste ano prazos de financiamento maior que na Páscoa de 2007", diz o diretor de Produtos de Grande Consumo do Carrefour, Karim Nabi, considerando que consumidor está hoje com o orçamento apertado. A expectativa da rede é vender 1,6 milhão de toneladas de ovos de chocolate, 15% a mais em relação à Páscoa do ano passado. Segundo Nabi, a intenção de iniciar as vendas de ovos de chocolate antes do carnaval foi planejada há muito tempo e não está relacionada com o clima chuvoso e com as baixas temperaturas das últimas semanas. Tanto é que para vender chocolate em pleno verão, a rede investiu em aparelhos de ar condicionado e geladeiras em suas lojas. "Criamos a sensação de Páscoa antecipada com a venda de mini ovos para que o consumidor comece a conhecer a qualidade dos produtos e opte pelo nosso na hora de fazer as grandes compras", afirma o gerente de Desenvolvimento de Marcas Próprias do Grupo Pão de Açúcar, Wellington Juliani.  Desde o início da semana, as 500 lojas da rede vendem ovos da marca própria. Eles custam entre R$ 1,49 (40 gramas) a R$ 15 (260 gramas). A expectativa é ampliar em 30% as vendas do produto em volume e faturamento em relação à Páscoa de 2007. Já o Wal-Mart tem expectativas mais modestas. Segundo o diretor de Produtos, Hoover Cruz, nas lojas do Sudeste o acréscimo esperado é de 12% e nas do Nordeste, em torno de 15%. Ele conta que os produtos de pré-Páscoa estão nas lojas desde o início da semana e que a rede ainda negocia com os fornecedores os preços dos chocolates. Por causa da alta do cacau, os fabricantes querem aumentar os preços entre 5% e 7%.

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