Passado o vencimento, dólar cai a R$ 3,6800

Nada aconteceu de ontem para hoje que leve a uma mudança significativa na avaliação negativa que o mercado tem dos cenários internacional e interno. Porém, os especialistas esperam um intervalo na ascendência das cotações do dólar no início desta manhã, principalmente porque alguns dos fatores técnicos que ajudavam a pressionar a moeda norte-americana nos últimos dias devem desaparecer. O principal é o vencimento de US$ 1,5 bilhão em títulos e contratos atrelados à variação do câmbio hoje. O Banco Central (BC) não vai rolar essa dívida e a sua liquidação terá como base o ptax (taxa de câmbio média diária) de ontem. Segundo operadores, a formação de um ptax alto interessa às instituições que vão abandonar a posição em dólar hoje e elas teriam operado nesse sentido ontem, intensificando a valorização da moeda norte-americana, que fechou com expansão de 5,73% à cotação recorde de R$ 3,78. Além disso, segundo o mercado, parte desse vencimento estaria nas mãos de uma única instituição financeira estrangeira que vai abandonar a posição e remeter os dólares correspondentes (estimados em US$ 670 milhões) à sua sede no exterior. Para isso, esse banco estrangeiro está comprando moeda norte-americana no mercado à vista há cerca de duas semanas e teria encerrado essa tarefa ontem, com uma aquisição calculada pelos operadores em US$ 200 milhões. Os especialistas dizem ainda que a pesquisa Vox Populi divulgada hoje, apontando para a existência de um segundo turno, pode ajudar na queda do dólar ao longo do dia. Embora esse levantamento não mude a avaliação geral do mercado, que nos últimos dias trabalha com possibilidades cada vez maior da vitória de Lula, ele volta a trazer a possibilidade de um segundo turno. Na abertura dos negócios, às 9h56, o dólar comercial estava sendo vendido a R$ 3,6800, em queda de 2,65% em relação ao fechamento de ontem. Já no mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagavam taxas de 21,760% ao ano, frente a 22,120% ao ano negociados ontem. Na agenda de hoje, os destaques são a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que não deve trazer surpresas, a fala de Alan Greenspan em Londres e o indicador de vendas de imóveis usados nos EUA, que sai às 11 horas. Na rodada de entrevistas organizada pelo Grupo Estado, que ontem recebeu Lula, hoje será ouvido a candidato do mercado, José Serra.

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