François Lenoir/Reuters
François Lenoir/Reuters

Passados 10 anos, Europa anuncia fim da sua pior crise em seis décadas

Documento divulgado pela Comissão Europeia afirma que, com o colapso da economia, o bloco teve de passar por reformas; movimentos sociais alertam que o continente ficou mais pobre e desigual

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2017 | 05h00

GENEBRA - Após dez anos, a Comissão Europeia deu por encerrada sua pior crise financeira em 70 anos, que acabou ganhando dimensões sociais e políticas. Num documento divulgado nesta quarta-feira, 9, a entidade admite que a crise trouxe para a Europa a “maior recessão em seis décadas”.

O colapso da economia obrigou, segundo as autoridades, a uma reforma do bloco que estaria dando resultados. “Hoje, a Europa cresce pelo seu quinto ano seguido, o desemprego está no nível mais baixo desde 2008, os bancos mais fortes, os investimentos se recuperam e as finanças públicas estão em melhores condições”, comemorou a Comissão Europeia.

Foi no dia 9 de agosto de 2007 que o banco BNP Paribas reconheceu sua exposição ao mercado de subprime nos Estados Unidos e foi obrigado a congelar fundos e ativos por não conseguir calcular o valor desses instrumentos.

O que parecia um problema isolado seria, pouco depois, reconhecido como o marco zero de um terremoto que derrubou governos, mudou a economia mundial e exigiu uma transformação geopolítica inédita.

Sem uma ação rápida por parte de bancos centrais, a situação ganhou dimensão inesperada e, em 2008, fez eclodir a pior crise financeira em 70 anos. Agora, a Europa dá por encerrada a crise e afirma que conseguiu resistir graças a “ações decisivas” tomadas por suas instituições.

O colapso da economia obrigou, segundo as autoridades, a uma reforma do bloco que estaria dando resultados. “A união econômica e monetária está mais forte do que antes”, disse o vice-presidente do bloco, Valdis Dombrovskis.

A União Europeia, mesmo assim, admite que o “legado da crise” ainda não terminou, principalmente nos aspectos sociais. Pierre Moscovici, comissário europeu de Assuntos Econômicos, insiste que esse legado não será corrigido sozinho. “Vimos uma maior divergência econômica e social entre os países da Europa se desenvolver. Precisamos promover uma maior convergência”, defendeu.

Ainda assim, a UE argumenta que o desemprego tem “caído de forma sistemática” e o euro, que chegou a ficar sob ameaça, hoje é a segunda moeda mais importante do mundo. Dos oito países que pediram resgate no auge da crise, apenas a Grécia está ainda sob um programa de apoio – o seu terceiro.

Quanto à taxa de desemprego, ela é hoje de 9,1%, a mais baixa desde 2009. Mas se a Alemanha tem seu menor índice desde 1990, a diferença entre os países do bloco persiste. Na Grécia, o desemprego continua em 21% e o país perdeu mais de 10% de seu PIB com reformas e austeridade. Na Espanha, o desemprego continua em 17%, ainda que abaixo dos 25% registrados no auge da crise.

No entanto, dados da Oxfam, divulgados em janeiro, indicavam ainda uma concentração de renda no mundo. Apenas 8 magnatas teriam a mesma renda de 3,6 bilhões de pessoas. Para Winnie Byanyima, diretora executiva da entidade, o problema não é apenas econômica e mina a própria democracia.

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