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Passageiro deve consultar voo antes de ir a aeroporto, diz Anac

Agência Nacional de Aviação Civil afirma que greve de caminhoneiros causa 'contratempos na malha aérea decorrentes da falta de abastecimento de querosene de aviação'

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2018 | 11h11
Atualizado 24 Maio 2018 | 17h55

No momento em que empresas aéreas adotam planos de contingência para amenizar os impactos da greve dos caminhoneiros, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recomenda aos passageiros com voos marcados para os próximos dias que consultem as empresas aéreas antes de se deslocarem para os aeroportos até que a situação se normalize.

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A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informa em seu site que está acompanhando em tempo real o abastecimento dos aeroportos e os possíveis impactos às operações da greve nacional de caminhoneiros iniciada na segunda-feira, 21, e que já causa "contratempos na malha aérea decorrentes da falta de abastecimento de querosene de aviação".

De acordo com a Anac, as reservas de combustível dos aeroportos são gerenciadas por cada operador aeroportuário em conjunto com as companhias aéreas e destaca que, "mesmo com a escassez de combustível nos aeroportos", todos os voos em operação seguem abastecidos conforme os regulamentos exigidos.

"Os regulamentos da Anac estão amparados internacionalmente e regulam o cálculo a ser feito conforme a rota, a reserva mínima a ser observada, além de instruções sobre a operação que podem alterar o cálculo do combustível", diz a agência.

A Infraero também informou que está monitorando o abastecimento de querosene de aviação por parte dos fornecedores que atuam nos seus terminais e já alertou aos operadores de aeronaves que avaliem seus planejamentos de voos para que cada um possa definir sua melhor estratégia de abastecimento de acordo com o estoque disponível na origem e no destino do voo.

Assim como a Anac, a Infraero também orienta os passageiros a consultar nas companhias aéreas a situação de seus voos.

Bloqueio. Em Brasília, motoristas fizeram uma manifestação que chegou a bloquear a via de acesso ao Aeroporto Internacional de Brasília, segundo informação divulgada pela Inframerica, concessionária que administra o terminal. O congestionamento chegou a ficar longo e a Polícia Militar, que continua no local, auxiliou a controlar o tráfego, que já foi liberado.

A concessionária também informou, pelo Twitter, que recebeu na tarde de hoje um caminhão com 60 mil litros de querosene de aviação, mas que isso ainda não é suficiente. "Permanecemos em estado de atenção já que apenas um caminhão não supre a demanda", afirmou. Até as 17h, 243 aeronaves pousaram ou decolaram no aeroporto de Brasília. Foram registrados 10 atrasos e apenas um cancelamento.

No momento, segundo a concessionária, não há registro de atraso. Desde ontem, a Inframerica comunicou que, em razão do movimento dos caminhoneiros nas principais rodovias que circundam o Distrito Federal, o querosene de aviação no local é insuficiente para a manutenção regular das operações do aeroporto. Com isso, somente poderiam pousar na capital federal aeronaves com capacidade para decolar sem a necessidade de abastecimento.

Devido às restrições de abastecimento de combustível, a companhia aérea Latam ampliou o número de aeroportos em que os passageiros poderão remarcar suas passagens sem pagar multa: além de Brasília e Recife - onde as alterações de voos estão isentas desde quarta-feira (23) -, Goiânia, Ilhéus, Porto Alegre, Teresina e Confins entraram na lista.

A empresa ofereceu aos passageiros isenção da cobrança de taxa de remarcação da passagem para nova data à escolha do cliente, sem multas, em voos domésticos com partidas, chegadas ou conexões programadas para os locais citados.

Em Guarulhos, o Aeroporto Internacional de São Paulo informou que possui um pool para armazenamento de combustíveis suficiente para abastecer os voos que partem deste aeroporto. Em nota, a GRU Airport ressalta que está atenta às decisões das companhias áreas com voos com destino para aeroportos impactados pela falta de abastecimento, bem como os voos de outros Estados, que tenham como destino o Aeroporto Internacional de São Paulo.

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Conforme a Fraport, empresa alemã que administra o aeroporto internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, o combustível garante a manutenção dos voos até as 12h desta sexta-feira, 25. Nesta manhã, a administradora do aeroporto havia comunicado que se não houvesse reabastecimento de combustível ao longo do dia, os voos poderiam ser cancelados.

O Aeroporto de Salvador está funcionando como ponto de abastecimento para aviões de voos internacionais originados em outros Estados que enfrentam desabastecimento de combustível devido à greve nacional dos caminhoneiros. Na quarta-feira, 23, dois aviões que decolaram em Brasília e Recife, com destino a Portugal, mudaram o trajeto para abastecer na capital baiana.

A informação foi confirmada pela Vinci Airports, que administra o terminal aéreo em Salvador, acrescentando que o aeroporto não sofre com a falta de combustível.

A BH Airport, concessionária do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, acionou plano de contingência para garantir o abastecimento de aeronaves na planta, por causa da paralisação dos caminhoneiros. O aeroporto, principal de Minas Gerais, já passou a operar com restrições.

A Azul cancelou 13 voos que ocorreriam nesta tarde e tinham como partida ou destino os aeroportos de Recife, Fernando de Noronha, Belo Horizonte, Vitória, Natal, Juazeiro do Norte, Campina Grande, Belém, Campinas e Goiânia.

A Gol enviou comunicado aos clientes na noite de quarta-feira recomendando que os passageiros verificassem a situação dos voos antes de se descolarem aos aeroportos. A empresa disse que está aplicando medidas de contingência em toda operação, “mantendo as ações necessárias para minimizar os impactos aos seus clientes”.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), há problemas de abastecimento de combustíveis nos aeroportos de Brasília e de Congonhas devido à paralisação dos caminhoneiros.

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Também na véspera, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) disse que “está acompanhando com preocupação a paralisação de caminhoneiros pelo país e os reflexos para o transporte aéreo comercial”.

A Abear disse que ainda não era possível contabilizar o número de voos ou rotas impactadas, e recomendou que os passageiros consultem o status de voo junto às empresas antes do deslocamento ao aeroporto.

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