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Passagens da Varig são emitidas na última hora no exterior

As agências de viagem de Londres especializadas em América Latina continuam a vender passagens da Varig, mas sem emitir as passagens até o último minuto. Norina Torelli, diretora da Star Travel, que anuncia nas publicações brasileiras em Londres como "a número 1 com a Varig", diz que "não estamos emitindo bilhetes até o último minuto, mas até agora não tivemos problemas"."Preciso resguardar meus clientes. Por precaução, temos vendido as passagens sem emitir os bilhetes com antecedência". Torelli ressalta que nenhum vôo Londres-São Paulo foi cancelado até agora. "Os vôos continuam saindo diariamente". A clientela da Star Travel é formada de brasileiros e de grupos de estrangeiros que vão ao Brasil para cursos de meditação, clubes de observação de pássaros, ou em grupos de turismo em geral. "Os brasileiros falam com os parentes no Brasil, vêm as especulações na mídia e ligam para cá. Alguns estão cancelando a viagem com a Varig, outros estão mudando de empresa aérea", conta. Queda nas vendas Ela estima que as vendas de passagens da Varig tenham caído cerca 75% em comparação com as vendas desta época do ano, em 2005. "Se a Varig falir, vai ser uma pena", diz Torelli. "Temos um ótimo relacionamento com a empresa e ela é mais conhecida das empresas brasileiras no exterior. Ninguém conhece as outras companhias entre os agentes de viagem e ela representa o país", acredita. A maior agência de viagens londrina especializada em América Latina, Journey Latin America (JLA) está "monitorando a situação de perto", segundo o diretor Brian Willians. "Tem havido muita especulação, mas a Varig ainda não cancelou nenhum vôo daqui", afirma. Além de deixar para emitir as passagens na última hora, a JLA esclarece aos clientes sobre o aconselhamento que o Ministério britânico das Relações Exteriores tem sobre a Varig. Em seu site, o ministério afirma que a Varig "está em sérias dificuldades financeiras e passando por uma reestruturação supervisionada pela justiça". Explica também que houve o leilão do dia 8 de junho, que está agora sob a consideração de um juiz. O site cita ainda números da ANAC, que regula a aviação civil no Brasil, mostrando que 20% do vôos internacionais da Varig e 31% do vôos domésticos foram cancelados e aconselha aos britânicos que levem "estes fatos em consideração quando reservarem suas passagens e fizerem seu seguro de viagem".Willians afirma que tem recebido "pouquíssimos telefonemas de passageiros assustados. Mas a empresa já está em situação difícil há um ano". A praxe é que passageiros de vôos cancelados sejam acomodados em vôos de outras empresas. Mas Willians lembra que a Varig ainda é uma grande empresa e tem 66% do mercado no Brasil e na América Latina. Reacomodar os passageiros, no caso da falência da empresa, pode ser um problema. Ele recorda que no caso da Pam Am, outras empresas assumiram as rotas e, em troca, transportaram os passageiros da empresa falida. A assessoria de imprensa da Varig informou à BBC que a empresa continua operando normalmente seus vôos do Rio e de São Paulo para Londres. Segundo a Associação de Transporte Aéreo Internacional (IATA), a Varig tem um fundo na associação que permitiria devolver o dinheiro das passagens da empresa que não pudessem ser usadas, no caso de falência. O valor do fundo não é divulgado, mas a assessoria de imprensa da IATA acredita que ele é suficiente para trocar as passagens que não tenham sido utilizadas, se o pior acontecer.

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