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'Passar a tocar uma empresa foi natural'

Líder de provedora de serviços de valor agregado fala de sua carreira e do amor por tecnologia

Entrevista com

CLÁUDIO MARQUES, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2013 | 02h08

Apaixonado por tecnologia, André Andrade se empenhou para migrar para a área de telecomunicações, que não foi sua opção inicial de estudo e carreira. Formado em administração pela faculdade carioca Cândido Mendes, o paulistano Andrade, hoje com 43 anos, começou seu trajeto profissional fazendo estágios. O primeiro foi na Souza Cruz, no Rio. Depois, no antigo Banco Nacional, na época em que foi comprado pelo Unibanco. "Aprendi muita coisa nesse processo, principalmente para as fusões e joint ventures, pelos quais acabei passando na vida. Foi uma experiência muito dura, mas também bastante rica", conta. Trabalhou na Shell na equipe que trouxe o primeiro programa multifidelidade para o Brasil. Daí em diante, o setor de telecomunicações, sua paixão, se tornou sua carreira. Passou por empresas como Net, Tess, Claro, Telefônica, Movile e, desde outubro último está na Titans, provedora de serviços de valor agregado para as operadoras de celular e para provedores de internet. A seguir, trechos da entrevista.

Como foi passar pela experiência da compra do Banco Nacional logo no início de carreira?

Foi uma experiência dura, traumática. Mas aprendi a viver de maneira mais pragmática esses processos de fusões e aquisições, como eu acabei vivendo posteriormente. O andar em que eu trabalhava tinha umas 300 pessoas e, em três meses, acabou ficando com nove pessoas, todas eram estagiários. Mas aprendi que na vida profissional esse tipo de coisa acontece, é natural.

Como se deu su a ida para o setor de telecomunicações?

O meu primeiro emprego depois de formado (e dos estágios) foi na Shell. Mas nessa época eu já estava muito interessado no processo de privatizações do setor de telecomunicações que o governo FHC estava implementando. Apesar de não ter formação técnica, eu tinha muita vontade de trabalhar na área de tecnologia, TI. Comecei a olhar muito de perto tudo o que estava acontecendo e a procurar emprego em operadoras celular, preferencialmente no Rio ou aqui em São Paulo. Foi quando apareceu uma oportunidade: trabalhar em Campinas na operadora banda B do Estado de São Paulo, a Tess, que abrangia todo o Estado menos a região 011.

Nesse ramo, qual área você queria?

Independentemente da área, eu queria entrar, entender como funcionava, quais eram as áreas bacanas, quais eram as que não se encaixavam com meu perfil. Entrei em marketing, mais especificamente em comunicação. Foi uma experiência extremamente rica, mas sabia que meu perfil não era exatamente esse e, após um ano e pouquinho como funcionário dessa operadora, apareceu outra oportunidade. Meu perfil é mais voltado para a área produto/comercial.

Qual foi a oportunidade?

Os suecos criaram uma área de projetos dentro da área de marketing, na qual algumas pessoas foram alocadas como gerentes de projetos. Entrei para esse grupo de gestores, e quis o destino que o primeiro projeto pelo qual eu fui responsável fosse o lançamento do primeiro serviço de alerta de texto e de SMS do mercado brasileiro. Foi o meu primeiro contato com o que nesse mundo de telecom se chama serviço de valor agregado - e, nos últimos 15 anos, é o que tenho feito. Foi assim que eu entrei, em 1998, nesse mercado. Posteriormente, esse setor se tornou uma empresa da Tess, desenvolvendo serviços de valor agregado.

Você participou dessa área bem na época em que a tecnologia estava surgindo.

É. Quando começamos aquela empresa da Tess, serviços de valor agregado em qualquer operadora brasileira não chegava a 0,5% do faturamento mensal. Hoje, as operadoras falam em 25%, 30%. É muito legal ter participado de toda essa evolução desse mercado.

Houve mudança de área indo para o Titans?

Antes, lembrando: a Tess acabou virando parte do grupo Claro. Quando a American Movil entrou no Brasil, ela o fez comprando quatro operadoras da banda B. E, aí sim, houve uma fusão monstruosa, e aí passamos por mais demissões, mais transferências. Depois de oito anos no grupo Claro, fui para a Telefônica em 2006. Eu fui convidado a assumir uma divisão de serviços de valor agregado responsável por fazer o projeto GSM lá na Vivo. Um marco significativo (na carreira) foi quando decidi sair desse mundo de operadora e vir trabalhar com os parceiros, os fornecedores de serviços.

Para qual empresa?

Eu fiquei muito feliz de mudar para uma empresa brasileira, a Movile, que já desenvolvia esses serviços. Entrei como diretor comercial do Brasil. Logo em seguida, ela fez uma aquisição de uma companhia, também de serviços de valor agregado, que tinha uma posição na América Latina. Nessa altura, eu já estava lá havia uns seis meses, tinha feito um excelente trabalho na área comercial no Brasil, e acabei virando o COO, o cara responsável por todas as operações, no Brasil e lá fora.

E por que foi um marco?

Porque deixei de ser operadora para ser fornecedor. Isso exige "aculturamento", é preciso se acostumar com uma série de coisas. Há o aprendizado de atuar como parceiro, e não mais como operadora. O aprendizado foi mais rápido do que eu esperava, eu consegui me adaptar e gerar resultados rapidamente. Depois de dois anos na companhia, eu já tinha ambições profissionais maiores. E em outubro de 2012 apareceu a oportunidade de assumir a presidência da Titans. Os sócios, como todo empreendedor, fizeram a empresa crescer muito rapidamente - está indo para o sexto ano consecutivo de crescimento. Mas precisavam de um executivo que organizasse a casa, que guiasse processos, políticas, procedimentos, estratégia. Praticamente, eles precisavam de um executivo que pudesse trazer planejamento e estratégia para eles.

A atração por tecnologia o levou a mudar de área. E o que o motivou a trocar de lado do balcão e se tornar fornecedor?

Achei que o que eu tinha de provar para mim mesmo em termos de carreira de sucesso dentro de uma operadora, eu já tinha feito. Queria alçar voos mais altos. A minha evolução, de passar a tocar a operação de uma empresa, foi natural. E, obviamente, numa empresa maior, você é muito limitado, porque são estruturas muito maiores.

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