John Taggart/The New York Times
John Taggart/The New York Times

Pássaros não são permitidos

Para empresas aéreas, regras sobre o transporte de animais de apoio emocional estão sendo usadas de forma abusiva

The Economist, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2018 | 05h00

As diretrizes federais nos Estados Unidos estipulam que as companhias aéreas devem permitir que os passageiros com deficiência tragam animais de apoio nos voos. As regras foram originalmente concebidas para os cães-guia de cegos e outros semelhantes em mente. No entanto, nos últimos anos, as regras permitiram que uma série de animais incomuns e exóticos embarcassem em aviões em nome do bem-estar emocional de seus proprietários.

Há duas semanas, a United Airlines, a terceira maior operadora americana, estabeleceu que transportar um pavão havia passado dos limites. Uma mulher chegou ao Aeroporto Internacional de Newark e tentou embarcar em seu voo com o grande pássaro, que ela alegou ser um animal de apoio emocional. O Jet Set, um programa sobre viagens, capturou imagens do pássaro uma vez que foi recusado o embarque. A companhia aérea disse ao Washington Post que o pavão “não atendeu às diretrizes por vários motivos, incluindo seu peso e tamanho” e que “explicamos isso ao cliente em três ocasiões distintas antes deste chegar ao aeroporto”.

Os animais de serviço, incluindo animais de apoio emocional, geralmente podem voar de graça. Com isso, as companhias aéreas preocupam-se com pessoas que querem evitar o pagamento pelo transporte de seus animais de estimação, alegando que eles têm um papel terapêutico. Segundo a Delta Air Lines, a segunda maior empresa aérea dos EUA, o número de animais de apoio e serviço em seus aviões aumentou 150% desde 2015 (embora partindo de uma base baixa). Os animais nem sempre se comportam. 

A Delta reportou um aumento de 84% desde 2016 nos incidentes envolvendo animais de estimação mal treinados que mordem passageiros ou membros da tripulação, urinam ou defecam sobre eles ou então aprontam uma confusão. A Delta agora passou a adotar regras mais rigorosas para animais de apoio emocional, exigindo uma guia médica, registros de saúde e vacinação, e uma confirmação assinada de que o animal pode se comportar em um voo. A companhia aérea não permite certos tipos de animais, incluindo cobras, cabras, répteis, anfíbios, animais com chifres e qualquer coisa que emita um odor.

Restrições. Algumas pessoas apresentaram argumentos contra as restrições. Certamente existem viajantes que se beneficiam da companhia de um animal como apoio. Mas não há dúvida de que a permissividade das companhias aéreas sofreu abusos em alguns casos, ou que passageiros inocentes, às vezes, pagam um preço brutal pelo mau comportamento de seus vizinhos peludos ou emplumados. É muito provável que outras aéreas dos EUA acompanhem decisão da Delta ao estabelecer restrições.

Outra solução seria vender bilhetes para animais de estimação bem-comportados para poderem viajar na cabine, o que significa que os nervosos donos não seriam separados dos seus companheiros quando viajassem. As transportadoras do Golfo – arquirrivais das três grandes empresas dos Estados Unidos – têm políticas muito mais flexíveis para alguns pássaros. A Emirates de Dubai, Etihad de Abu Dhabi e a Qatar Airways permitem falcões na cabine principal em pelo menos alguns de seus voos, uma vez que a falcoaria é um esporte popular entre os ricos da região. A extensão de tal política a outros pássaros enjaulados não seria uma ideia nem um pouco irracional. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO 

© 2018 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO 

ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

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