Passeatas na Argentina pedem empregos e libertação de ativistas

Várias passeatas com cerca de 3 mil participantes estão sendo realizadas em diversos pontos de Buenos Aires. A maioria saiu de localidades da província de Buenos Aires, como La Matanza, a mais pobre e a que registra o maior índice de desemprego (22%). Os grupos vão se encontrando em avenidas estratégicas, rumo à Praça de Maio, onde se concentrarão para reclamar mil postos de trabalho e a liberação de ativistas, que foram presos durante as últimas manifestações.Os manifestantes, que saíram de suas casas ontem à noite, deverão chegar em frente à Casa Rosada por volta das 14 horas (15h de Brasília). Várias ruas e avenidas da capital federal estão interditadas e o trânsito está bastante complicado, principalmente no centro da cidade. Os organizadores do protesto querem ser recebidos por algum representante do governo.As passeatas dos desempregados estão sendo organizadas pela Corrente Classista Combativa, liderada pelo piqueteiro Luis D´Elia, pela Confederação de Trabalhadores Argentinos, presidida por Víctor De Gennaro, pelo sindicato de professores da província de Buenos Aires, representada por Hugo Yasky, e outras entidades populares.Desde que a onda de panelaços começou no país, os movimentos populares e autoconvocados pelos moradores dos bairros de Buenos Aires ganharam força e enfraqueceram as tradicionais CGTs (centrais sindicais), a dissidente e a oficial, criadas nos tempos de Domingo Perón. Cada vez mais desacreditados pela população, os líderes das CGTs têm sido alvo de denúncias de corrupção e de desvio de dinheiro destinado aos planos sociais, como os de saúde, controlados por eles.O líder da CGT dissidente, Hugo Moyano, por exemplo, tem sido acusado pelos moradores que organizam os panelaços de enriquecimento ilícito. Segundo as denúncias, o caminhoneiro vive num luxuoso apartamento, cujo condomínio custa $ 2.000 mil pesos, mas seu salário é de apenas $ 450 pesos mensais. Ele é acusado também de ter comprado uma chácara avaliada em US$ 650 mil dólares. Moyano desmente tudo.Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.