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Passivo ambiental ganha relevância no mercado

O passivo ambiental das empresas é uma informação que vem ganhando cada vez mais relevância no mercado. Apesar disso, as companhias abertas brasileiras não abrem em seus balanços o tamanho de suas dívidas e obrigações referentes a problemas ambientais.. O dado é precioso, pois está diretamente ligado ao valor da empresa e sua atratividade diante das concorrentes, apontam especialistas. Para o analista do setor de energia elétrica da Sudameris Corretora, Marcos Severine, o esclarecimento sobre a informação seria positivo para uma melhor percepção do risco do investimento.Dessa forma, as companhias que esclarecessem o dado poderiam ser avaliadas pelo mercado de forma mais exata. Para entender como o passivo ambiental pode mudar uma avaliação, basta lembrar do fracasso da privatização da Cia. Energética de São Paulo (Cesp), em dezembro do ano passado, por conta das dúvidas sobre o enchimento do lago da Usina Sérgio Motta, em Porto Primavera."Hoje esse fator tem muita importância e a preocupação é grande, pois, junto com as questões fiscais e trabalhistas, é fonte das maiores armadilhas", ressaltou a consultora Claúdia Prado, sócia da Trench, Rossi & Watanabe Advogados.PolêmicaO tema levanta polêmica. O diretor de serviços ambientais da PricewaterhouseCoopers, Joel Bastos, não acredita que as empresas passem a abrir esses dados espontaneamente. Para ele, uma empresa não vai avisar que possui uma contingência ainda não descoberta pelas autoridades competentes, fazendo uma provisão no balanço.Além disso, Bastos explicou que a não-divulgação acaba facilitando a administração dos problemas, pois a empresa pode solucionar a questão sem a interferência de terceiros. Os especialistas destacaram ainda o fato de a legislação brasileira para crimes ambientais ser recente (1998), como mais um complicador. A novidade da lei gera a expectativa de que muitas empresas não seguiam padrões de qualidade até alguns anos atrás. Com isso, os especialistas acreditam que muitos problemas não foram apurados.O presidente do Instituto Brasileiro de Contabilidade (Ibracon), Márcio Villas, avalia que as informações sobre o passivo ambiental já deveriam ser expostas pelas companhias em seus balanços. Ele parte do princípio contábil de que toda contingência deve ser provisionada e descrita pela empresa. Mas o especialista reconheceu que não há como controlar esse assunto no momento.Villas afirmou que a matéria preocupa e, apesar de não ser a prioridade da instituição, podem ser criadas regras para obrigar as companhias a divulgar o passivo ambiental. O presidente do Ibracon enfatizou, no entanto, que ainda não existe nada em discussão.

Agencia Estado,

14 de maio de 2001 | 12h02

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