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Pasto morro acima, mas do jeito certo

No Vale do Paraíba, criador deixa de lado a aração em favor do plantio direto e forma pasto em área declivosa

João Carlos de Faria, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

Uma tecnologia para formar ou reformar pasto em áreas montanhosas está se difundindo, principalmente nas serras coladas ao Vale do Paraíba, no interior paulista. A proposta, desenvolvida pelo agrônomo Ricardo Manfredini Requeijo, da Casa da Agricultura de Tremembé, consiste na utilização do plantio direto, sem necessidade de aração, o que preserva o solo e previne erosão.

Os resultados têm surpreendido. Requisitado pelo agrônomo Artur Chinelato, coordenador do programa Balde Cheio, da Embrapa Agropecuária Sudeste, que trabalha com sucesso na transferência de tecnologias relacionadas a alimentação, genética e gestão de pequenas propriedades, Manfredini ministra anualmente um curso de manejo intensivo de pastagens, na sede da Embrapa, em São Carlos (SP). "No último curso, em setembro do ano passado, fiquei surpreso em ouvir relatos de técnicos falando com a maior naturalidade sobre o assunto. Foram dados exemplos de experiências em Tocantins, Maranhão, Paraná, e sul de MG", diz Manfredini.

Chinelato, um dos mais entendidos no assunto, também vem difundindo a prática em suas andanças de Norte a Sul do País. Um dos casos bem sucedidos ocorreu em Redenção da Serra (SP), no Sítio São Vicente, de Rogério da Cunha Pereira. Há cerca de dois anos, ao adquirir 36 hectares, Pereira ficou incomodado com o pasto, a maior parte em áreas acidentadas. "Só tinha grama batatais, cupim, sapé e formiga", conta.

No desespero, Pereira apelou para o que achava ser a melhor solução e contratou um tratorista, iniciando a aração morro abaixo, numa operação perigosa e absolutamente ilegal. Em pouco tempo recebeu a visita dos técnicos da Defesa Agropecuária de Taubaté, que foram generosos ao perceber sua boa intenção e, depois de orientá-lo, exigiram que ele apresentasse uma proposta para recuperar o estrago. "Busquei informações na Casa da Agricultura local e cheguei ao agrônomo Ricardo Manfredini."

Foi então orientado e colocou mãos à obra, iniciando pela análise de solo. O solo ácido consumiu nada menos que 6 toneladas de calcário/hectare, levado no lombo de burros para o alto do morro e espalhado com pás. Depois da correção veio a segunda fase, quando aplicou herbicida para dessecar a vegetação e formar uma palhada, onde, 30 dias depois, jogou sementes de braquiarão e o pasto finalmente encontrou boas condições para se desenvolver.

SOBE & DESCE

Preservação

Uso do plantio direto ajuda a preservar os nutrientes do solo, previne erosão e ainda sequestra carbono da atmosfera

Uso extensivo

Para o pasto produzir mais, pecuaristas substituem o uso extensivo da terra por práticas como adubação e calagem

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