Pastore: câmbio determinou Copom

O economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central disse que a pressão sobre o câmbio é que está determinando uma postura mais conservadora do Banco Central nas decisões sobre os juros. Ele avalia que não há qualquer sinal além do câmbio (com tendência altista acentuada a partir de outubro) que pudesse impedir uma efetiva redução das taxas pelo BC.Pastore explica que essa pressão está relacionada aos choques externos no horizonte, com destaque para a Argentina, mas também mencionando as incertezas quanto ao ritmo de desaceleração da economia americana e do aumento das taxas de risco dos títulos de empresas dos Estados Unidos - carregados pelos mesmos detentores de títulos de países emergentes, como Brasil e Argentina. Ele acredita que a velocidade na determinação de redução dos juros pelo governo dependerá essencialmente do comportamento da economia argentina nos próximos meses. Sobre a decisão anunciada ontem em manter as taxas de juros em 16,5% ao ano, o economista disse que o BC "fez o que devia ter feito", dado que pressões adicionais no câmbio poderão ainda vazar para a inflação.

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