Pastore: corte na Selic não prejudica inflação

O ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, acredita que a taxa básica de juros - Selic - poderá cair em 2001 sem perigo de uma alta da inflação desde que o cenário externo seja favorável. Segundo ele, o Banco Central "não pode ignorar um choque externo", porque a atuação da autoridade monetária definirá o repasse da taxa de câmbio para os preços internos.Segundo ele, não há risco de uma alta da inflação. A taxa de desemprego aberto ainda é alta, o que, na avaliação dele, faz com que a mão-de-obra tenha poder de barganha reduzido para pressionar por aumentos salariais. Os preços internos não foram contaminados pela expressiva alta recente da taxa de câmbio, resultado da condução da política monetária de metas de inflação, exercida pelo BC, que limitou o repasse. Na sua visão, o desempenho da balança comercial brasileira poderá piorar em 2001 em relação a este ano. Isso porque o desaquecimento da economia dos EUA levará a uma queda da exportação de produtos manufaturados brasileiros para aquele país. Mesmo que o preço do petróleo caia no mercado internacional, a queda não compensaria a perda com a redução da venda de manufaturados. No momento, Pastore acredita num pouso suave para a economia dos EUA. Na próxima reunião do banco central americano, marcada para terça-feira, ele acha que haverá apenas uma mudança de tendência, sem alteração da taxa. "Não tenho dúvida de que a taxa vai para baixo", disse, referindo-se aos primeiros meses de 2001. Segundo ele, Alan Greenspan, o presidente do FED - banco central norte-americano - já mostrou que não ficará insensível aos sinais de uma possível desaceleração excessiva.Respingos argentinosAté junho ou julho de 2001, o ex-presidente do Banco Central aposta que a crise da Argentina estará definida. "Ou resolvem ou declaram default", disse, referindo-se à uma eventual moratória. Segundo ele, ainda que o Brasil sofresse o impacto do pior cenário, a repercussão seria atenuada pela política de câmbio flutuante. Poderia ocorrer, diz ele, uma alta da taxa de juros, mas nada parecido com o que ocorreu na época da crise asiática, no final de 97. Ele cogitou de uma alta de 4 pontos percentuais, com a Selic chegando a 20%. "O dano sobre o crescimento econômico seria muito menor do que antes", afirmou.

Agencia Estado,

15 de dezembro de 2000 | 18h56

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