Pastore otimista com 2004, mas receoso sobre superávit

O economista e ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, engrossa o time dos otimistas quanto ao crescimento da economia este ano, mas se diz preocupado com a proposta de baixar o superávit primário, como acenado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à Globo News, ele disse que ainda permanece certo pessimismo em alguns setores quanto ao desempenho do PIB em 2004, com o qual não se identifica. Lembrou que 2003 foi um ano horrível, já que o choque de 2002 (relacionado aos receios sobre o governo petista) teve um custo enorme, apesar da estabilidade do câmbio e do aumento das exportações. O fato, segundo ressaltou, é que houve uma forte redução na renda real, mas que isso já é passado. "O Brasil pagou o custo deste choque, com o resto de alguma inflação, que o Banco Central vem combatendo com muito sucesso", afirmou. Pessimismo da sociedade Em sua análise, Pastore acrescentou que a recessão de 2003 foi a mais curta e mais rasa de toda a história econômica do País desde 1995. "Eu acho que, encerrado este ciclo, o Brasil pode ter um crescimento moderado. Eu acho que no ano de 2004 nós vamos crescer. Não vai ser o ´espetáculo do crescimento´, e nem vamos criar os 10 milhões de empregos. Mas será um crescimento um pouco maior do que este que a sociedade, com um grau de pessimismo extraordinariamente alto, está esperando." Superávit e crescimento O ex-presidente do Banco Central advertiu, porém, que há "sinais muito preocupantes". O primeiro deles vem sendo emitido pelo presidente Lula, ao sugerir ao Fundo Monetário Internacional e a todos os chefes de governo dos países do G7 que se refaça o cálculo do superávit primário nos moldes atuais da instituição. O problema, conforme argumentou, é que na medida em que se baixa o superávit primário, há um aumento na relação dívida-PIB. "Aí o câmbio vai depreciar mais, o consumo vai cair mais, o investimento vai cair mais. A baixa do superávit primário é contrária ao crescimento econômico." Sua conclusão é que o crescimento econômico só será acelerado com a manutenção de superávits primários altos.

Agencia Estado,

09 Março 2004 | 07h34

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