Pastore pede discurso mais claro a Meirelles

Apesar disso, economista elogia trabalho do BC durante a crise

Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2009 | 00h00

O ex-presidente do Banco Central (BC) Affonso Celso Pastore disse que o atual presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, precisa ser um pouco mais consistente na comunicação, a fim de coordenar de forma eficiente as expectativas de mercado, especialmente as relacionadas às decisões de política monetária. "Ele (Meirelles) tem de vir a público e deixar muito claro que está defendendo certos pontos de vista que ajudam o mercado a entender a sinalização. Se há um erro que o presidente do Banco Central está cometendo, é esse. As outras ações são todas acertadas", comentou Pastore, em entrevista concedida ontem à Agência Estado. Segundo Pastore, as pressões políticas emanadas de setores do governo para que os juros baixem com maior vigor fazem com que Meirelles se comunique com dois públicos: um deles é o mercado e o outro é composto por integrantes do governo que desejam uma política monetária mais flexível. Na avaliação de Pastore, foi correta e adotada por critérios técnicos a decisão da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar os juros em 1 ponto porcentual, para 9,25% ao ano. A ata do encontro do BC, que será divulgada hoje, na expectativa dele, não mostrará nenhum otimismo com a recuperação da economia. Pastore defende que o BC explique que "o hiato do produto está grande, que essa é uma força desinflacionária e que o investimento está baixo, o que freia a demanda". O ex-presidente do Banco Central acredita que, como a inflação está sob controle, há espaço para os juros caírem pelo menos mais 0,50 ponto na próxima reunião, prevista para julho. Ele prevê que o PIB deve registrar uma retração de 0,5% a 1% neste ano, mas voltará a crescer no quarto trimestre de 2009 a uma taxa anualizada de 3,5%. Em função do baixo vigor da recuperação do nível de atividade, ele defende que o juro efetivo deve ficar abaixo do juro de equilíbrio por um bom período, talvez até um ano. Para 2010, ele espera uma expansão do PIB de 3,5%.O ex-presidente do BC diz que respeita o excelente trabalho que a equipe de Meirelles tem feito durante a crise. "O Brasil tem de usar políticas contracíclicas, porque está enfrentando uma crise de demanda. O BC reagiu baixando a taxa de juros, reduziu os compulsórios e criou o Fundo Garantidor de Crédito." Com isso, diz ele, o crédito está voltando gradativamente. "Se a recessão do primeiro e segundo trimestres está se encerrando, isso se deve muito, se não quase exclusivamente, às políticas contracíclicas adotadas pelo BC."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.