Filipe Araújo/Estadão
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Quadro de recessão continua em 2016, avalia Pastore

Para o ex-presidente do Banco Central, não há perspectivas de que essa economia entre em processo de crescimento

Fernanda Guimarães e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 10h50

CAMPOS DE JORDÃO - O ex-presidente do Banco Central (BC), Affonso Celso Pastore, disse que o quadro de recessão da economia brasileira segue em 2016. “Não há perspectivas de que essa economia entre em processo de crescimento”, disse em palestra no 7º Congresso Internacional de Mercado Financeiro e de Capitais, organizado pela BM&FBovespa. Nesta sexta-feira, foi divulgado o Produto Interno Bruto (PIB) do País no segundo trimestre, que confirmou o quadro recessivo: a economia se contraiu 1,9%.

Segundo Pastore, o Brasil vive um momento de inflação e juros altos, com o Banco Central (BC) vivendo um dilema, tendo em vista que tem em sua frente um cenário de estagflação. Segundo ele, a queda do PIB não é uma surpresa e lembra que os indicadores antecedentes do terceiro trimestre são desanimadores e apontam ainda para um agravamento desse cenário. “O Brasil está vivendo uma recessão que se aprofunda e com uma inflação muito alta”, disse.

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'O Brasil está vivendo uma recessão que se aprofunda e com uma inflação muito alta' - Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC
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Nesse sentido, Pastore disse que a pressão, principalmente do empresariado, para a queda dos juros deve crescer ao longo do tempo. Sendo que hoje as empresas vivem um momento difícil em que preferem manter capital em caixa e não em alocação em Capex.

Inflação. Pastore disse que a permanência da inflação em elevado patamar mesmo com a taxa de juros alta leva algumas pessoas a se questionar do porque não se reduzir a taxa de juros. A obrigação do BC, de acordo com ele, é trazer a inflação para 4,5%, no entanto a inflação está alta porque "o BC enfrenta um quadro de estagflação".

"Uma convergência rápida da inflação para a meta exige uma taxa de juro real alta", disse o economista. Ocorre, de acordo com Pastore, que se elevar a inflação para o centro da meta no curto prazo exige altos custos, que traga a inflação para a meta devagar, mas traga". 

Pastore disse ainda que, depois dos ajustes nos preços administrados, a inflação está acima de 16% nos últimos doze meses, mas que depois dos últimos ajustes a tendência é que seja notado um arrefecimento. Por outro lado, ele lembra que a inflação dos preços livres roda acima de 6,5% e que está, até aqui, “rodando estável”. 

Pastore também vê dificuldades no mercado de trabalho. Para ele, neste ano o desemprego deverá atingir cerca de 1,5 milhão de pessoas.

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