Pastore: Selic deverá aumentar antes do previsto

Para o ex-presidente do Banco Central (BC), Affonso Celso Pastore, há grande chance de uma nova alta da taxa básica de juros (Selic), antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 22 e 23 de maio, se no decorrer desta semana o mercado mantiver o nervosismo que vem apresentando.De acordo com ele, ainda há espaço para elevação dos juros e contração monetária, dependendo de como ficar a economia argentina. No cenário de manutenção do nervosismo, ele avalia ainda que o BC continuaria também a colocar papéis cambiais no mercado de forma a evitar a oscilação. Além disso, o governo seria obrigado a promover um reforço do ajuste fiscal. "Os instrumentos são esses que estão aí: juros, câmbio e ajuste fiscal", disse ontem o economista durante reunião do Conselho de Economia e Estatística da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP).Na opinião de Pastore, não há timidez por parte do BC, diante do nervosismo do mercado nos últimos dias. "Há apenas cautela para usar os instrumentos no momento oportuno. O BC só não reagiu mais porque não sabe como vai ficar a Argentina", afirmou Pastore. Por isso, o economista considera possível que, até o fim do ano, a variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como meta da inflação, não ultrapasse o limite de 4%, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais.Ele disse ainda que o reforço do ajuste fiscal também seria benéfico para uma desvinculação mais rápida entre os riscos de Brasil e Argentina, permitindo uma política menos contracionista do BC. Mas joga a questão para o âmbito político: "É politicamente viável fazer esse reforço hoje com a situação atual do Congresso?", questiona.ArgentinaSe a situação interna é crítica, de acordo com o economista, os prejuízos em decorrência da crise argentina podem ser ainda piores. Pastore considera muito pouco provável que os Estados Unidos realmente ofereçam auxílio para que a Argentina supere a crise em que se encontra. De acordo com ele, a declaração do presidente norte-americano, George W. Bush, a esse respeito foi muito vaga e, além disso, os investidores daquele país não têm tanta ligação com o mercado argentino como tinham, por exemplo, com o mexicano, quando o México recebeu a ajuda dos EUA para a recuperação de sua economia.O especialista observa, no entanto, que, sem esse recurso, dificilmente a Argentina sairá da crise que enfrenta. "A situação argentina é gravíssima e eles não têm instrumentos para corrigi-la", disse. Outro fator de dúvida em relação à ajuda externa estaria na própria natureza do novo governo republicano e sua postura bem mais conservadora em relação aos democratas no que tange ao papel de ajuda financeira dos Estados Unidos aos países emergentes em dificuldades financeiras. O especialista avalia ainda que a moeda de troca da Alca não teria tanto peso nesse sentido no momento atual. "A Alca só entra em vigor em 2005. Acredito que os americanos só dariam essa ajuda quando a Argentina definisse seu rumo."

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