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Patagônia poderá ficar sem gás, energia elétrica e água

A Patagônia, a região sul da Argentina, que ocupa um terço do território do país, está sob o risco de entrar em colapso. Os quatro estados do sul - Río Negro Chubut, Santa Cruz e Tierra del Fuego - poderiam ficar sem gás, energia elétrica e água. A origem desta crise no abastecimento foi o anúncio de default da empresa Camuzzi Gas del Sur, que abastece de gás todo o sul argentino. A Camuzzi argumentou que teria que cortar o abastecimento de gás aos usuários na Patagônia porque não possuía fundos para pagar a dívida de 60 milhões de pesos que possui com as empresas petrolíferas que lhe forneciam gás. Em alguns casos, os atrasos da Camuzzi vinham desde agosto do ano passado. Segundo a empresa, a falta de fundos ocorre por culpa do Estado argentino, que não lhe pagou os subsídios estipulados no contrato de concessão. Embora seja uma empresa de serviços públicos privatizada, recebe ajuda financeira do Estado argentino. A Camuzzi sustenta que o Estado lhe deve 160 milhões de pesos, embora o governo somente reconheça uma dívida de 108 milhões de pesos. Sem gás, os habitantes da região ficariam sem combustível para a calefação de suas casas, hospitais e escolas. Isto seria impraticável na Patagônia, já que em algumas cidades, como Ushuaia, nesta semana houve temperaturas de -10º C. O gás também abastece grande parte das usinas elétricas da região. Além disso, a distribuição de água potável também depende do gás. Em Ushuaia, nos últimos dias a população correu aos supermercados para comprar velas e água mineral. Para salvar a região mais fria e desolada da Argentina o governo do presidente Eduardo Duhalde anunciou que permitirá um aumento entre 2% e 4% nas tarifas do gás em todo o país. Com o aumento, o governo criará um fundo fiduciário para pagar os subsídios à Camuzzi, além das dívidas atrasadas. O fundo arrecadaria 100 milhões de pesos anuais. Desde o início do ano as privatizações estão sendo intensamente criticadas pela opinião pública argentina. Feitas às pressas pelo governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), puderam estabelecer monopólios em seus setores, e tiveram correções de tarifas ao longo de toda a década passada, mesmo quando o país estava em deflação. Nos últimos meses, ao tentar revisar os contratos de concessões, o governo Duhalde já perdeu diversas quedas de braço com as privatizadas, entre elas, as empresas do setor elétrico e os aeroportos. Para o analista Martín Schorr, da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso), os usuários argentinos tornaram-se reféns na disputa entre o governo e as privatizadas.

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