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Pátria capta R$ 10 bi em quarto fundo de infraestrutura

Trata-se do maior volume captado por esse tipo de produto na América Latina; recursos serão aplicados em projetos na área de transportes, energia elétrica, telecomunicações e saneamento básico

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2020 | 19h06

O Pátria Investimentos acaba de concluir a captação de um fundo de infraestrutura – o quarto da gestora de recursos – no valor de R$ 10 bilhões. Trata-se do maior volume já captado por um produto dessa natureza em toda a América Latina, segundo o ranking de fundos latino-americanos da PEI – Infrastructure Investor.

Boa parte dos recursos veio do mercado internacional, que continua acreditando no potencial da infraestrutura brasileira. Mas a participação do investidor local surpreendeu e alcançou uma parcela de 25% do valor total captado (ou seja, cerca de R$ 2,5 bilhões). Nas outras três carteiras do Pátria, voltadas para o setor, esse porcentual não passava de 13%.

“Esse fundo mostrou uma tendência de mudança estrutural dos investidores locais, que seguem as condições macroeconômicas do País, especialmente com a redução sustentada das taxas de juros e maturidade desse segmento na busca por melhores retornos em seus portfólios de investimento”, diz Felipe Pinto, sócio do Pátria.

Segundo ele, entre 30% e 40% do montante foi captado em meio a pandemia, o que demonstra o apetite e a confiança do investidor na qualidade da carteira, com boa rentabilidade, respeito aos temas ambientais, bons projetos e compliance adequado. “Os investidores precisam fazer a alocação de seus recursos e buscam gestores que fazem isso de forma eficiente”, diz Pinto, destacando que a régua e as exigências subiram.

O sócio do Pátria afirma que 40% do fundo já está comprometido com investimentos já anunciados, como a plataforma de energia renovável Essentia, que recebeu US$ 320 milhões; a plataforma focada em soluções de infraestrutura de dados wireless, US$ 200 milhões; e a concessão do corredor rodoviário Piracicaba-Panorama (SP), conhecido por “Pipa”, que vai exigir investimentos de R$ 14 bilhões ao longo de 30 anos.

O restante será aplicado em negócios nas áreas de rodovias (estaduais e federais), portos, aeroportos, energia elétrica e saneamento básico. “A regulamentação desse setor está indo na direção correta. Além disso, há uma série de empreendimentos que está sendo patrocinado pelo BNDES”, diz o sócio do Pátria. Na avaliação dele, o País – e outras nações da América Latina – tem um pipeline de projetos bastante interessante.

Com o Fundo de Infraestrutura IV, o Pátria soma R$ 17 bilhões captados para o setor. A gestora começou a investir no setor em 2006, com um fundo de R$ 200 milhões. Esse dinheiro foi aplicado em projetos de energia renovável. Na sequência, em 2010, a empresa captou R$ 1,9 bilhões e começou a entrar no setor de logística, com investimentos em portos.

O fundo III surgiu em 2014 e elevou o volume de investimentos para R$ 5,3 bilhões. Com esse dinheiro, a empresa arrematou a concessão rodoviária Entrevias (SP), em 2017, e comprou a Concessionária Auto Raposo Tavares (CART) da Invepar, no fim do ano passado. Também investiu em linhas de transmissão e num projeto de dessalinização no Chile.

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