Pátria e Promon criam empresa para investir R$ 600 milhões em saneamento

Companhia, que já atua em São Paulo e em Minas Gerais, estuda três novas aquisições e a entrada no mercado do Rio de Janeiro

RENÉE PEREIRA, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2012 | 02h07

A nova aposta do fundo P2 Brasil, joint venture entre Pátria Investimentos e Grupo Promon, é a empresa Nova Opersan Soluções Ambientais. Recém-criada, a companhia atua na gestão e tratamento de resíduos industriais e comerciais em São Paulo e Minas Gerais - futuramente, também estará no Rio de Janeiro. A previsão é investir cerca de R$ 600 milhões em cinco anos em aquisições e no crescimento orgânico da companhia.

A companhia nasceu da associação do fundo com as empresas Enasa e Opersan e com a aquisição da GT Ambiental e da Brasquip Ambiental. "Todas essas empresas têm tradição no setor e profissionais qualificados. Já nascemos como a maior empresa de tratamento de resíduos líquidos", afirma o presidente da Nova Opersan, Sergio Werneck Filho. No primeiro ano, a carteira de serviços já conta com 200 clientes.

As aquisições permitirão à empresa prestar serviço nas fábricas de seus clientes, com as chamadas operações dedicadas, e também fazer o tratamento de efluentes sanitários e oleosos em suas próprias instalações. A Nova Opersan conta com estações de tratamento (de água e resíduos industriais) nas cidades de Jundiaí e Jandira, em São Paulo, e Itabira e Mariana, em Minas Gerais.

Mas a área de atuação deve crescer em breve. Felipe Andrade Pinto, sócio do Pátria Investimentos e representante do P2 na Nova Opersan, conta que o grupo avalia três novas aquisição e deve iniciar conversas com outras empresas do setor. O objetivo é avaliar negócios onde estejam instalados grandes complexos industriais, potenciais clientes. "No plano de negócio da empresa, estamos olhando para seis regiões diferentes. O Rio de Janeiro está entre elas."

Consciência ambiental. O sócio do Pátria explica que o objetivo é se concentrar nessa área de tratamento de água, esgoto e resíduos industriais e comerciais, cujo mercado ainda é pouco explorado. Na avaliação dele, com os órgãos ambientais mais rigorosos na destinação dos efluentes e uma maior consciência ambiental da população, o setor ganha cada vez mais potencial de crescimento. "Esse novo ambiente, aliado à pouca oferta de prestadores de serviço com profissionais bem estruturados, como os da Nova Opersan, torna o mercado bastante atraente."

Para o executivo, a vantagem de terceirizar o serviço, é que os clientes podem se concentrar 100% na sua área de atuação e não têm de se preocupar com a mudança na legislação. "Nós fazemos isso para eles."

Felipe Andrade diz que a Nova Opersan não deve disputar concessões na área de saneamento básico, a exemplo do que ocorre com a Foz do Brasil, do Grupo Odebrecht. "Hoje, o grau de competição nessa área é muito elevado. Não teria capacidade para concorrer com os demais grupos." A meta do executivo para os próximos anos é multiplicar o faturamento atual da empresa, de R$ 50 milhões, por oito.

A Nova Opersan é o quinto investimento do fundo P2 Brasil. Antes desse negócio, o grupo já havia injetado recursos na Nova Agri, empresa de logística integrada que detém participação no Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), no Porto de Itaqui; na Hidrovias do Brasil; Oceana, que atua na indústria naval; e a Lap (Latin America Power), empresa de energia elétrica que busca desenvolver projetos no Chile, Peru e Paraná. No ano passado, o fundo captou US$ 1,15 bilhão com os principais investidores institucionais do mundo.

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